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Mestres dizem o que pensam da Mostra Sesc Cariri de Culturas

Antônio Ferreira Evangelista, o Mestre Antônio, viu a Mostra Sesc nascer em 1999. Na época, com seus 38 anos, ele já liderava o Reisado Discípulos do Mestre Pedro, ao lado do irmão Raimundo, em Juazeiro do Norte. Ainda dada como uma mostra prioritariamente de teatro, o Reisado dos Irmãos, como depois passaram a ser conhecidos, ficou de fora. Foi a única edição da Mostra Sesc Cariri de Culturas que os irmãos Ferreira Evangelista e outros cinco grupos de tradição que coordenam não participaram. De 2000 para cá, contam com orgulho 18º edições apresentadas com sucesso. E todo ano a empolgação é a mesma: fazer a melhor brincadeira possível.

Na pequena casa alugada no bairro João Cabral, onde o Reisado dos Irmãos fez sua sede, os preparativos para a Mostra seguem a todo vapor. Adornos de última hora, reaplique do brilho no uniforme dos guerreiros, aperta aqui, afrouxa lá… Tudo para que os 59 meninos e meninas que brincam de reisado, quadrilha, maneiro pau e banda cabaçal abrilhantem as ruas e praças por onde se apresentarão. “Quando chega essa época do ano a gente se sente visto e valorizado”, declara mestre Antônio, olhando e sorrindo para os figurinos sob a grande mesa que ocupa metade da sala de estar.

 

Mestre Antônio em brincadeira (Foto: Davi Pinheiro)

 

Em Crato, outro grupo que se prepara é o Reisado Mestre Dedé de Luna, que está em sua 3ª geração de integrantes. Fundado por Dedé de Luna em 1955, o grupo do bairro Muriti é um dos mais tradicionais da cidade, contando com 30 integrantes entre crianças e jovens. “Ficamos o ano inteiro na expectativa de participar dessa festa tão bonita”, confessa a mestra Mazé de Luna, que participa da Mostra Sesc Cariri de Culturas desde 2007. “É um evento tão grande, que atrai tantas pessoas interessantes e cuida tão bem dos mestres que nosso desejo é que durasse mais dias”, declara.

Em seu diagnóstico, as culturas tradicionais passam por uma grande crise, onde, sem apoio público, os grupos sentem dificuldade em continuar apenas com apresentações particulares. “Nesse momento de dificuldade, ter um movimento bonito desses nos apoiando é fundamental”, afirma.

 

Reisado Mestre Dedé de Luna em cortejo (Foto: Divulgação)

 

Ao todo, 106 agrupamentos tradicionais originários da região passaram pela programação da 19ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, tornando-se o maior evento do tipo para os mestres populares. Em visita ao Cariri, a gerente de Cultura do departamento nacional do Sesc, Márcia Rodrigues, declarou-se apaixonada pela visão multicolor das ruas em cortejo. “Quando o cortejo de grupos de Tradição passa com todas as suas cores e todo o seu movimento único, a cidade reverencia o campo. A cidade reverencia sua história, suas raízes. É preciso falar sobre cultura e é preciso valorizar essas atividades”, comentou.

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