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Festival Expocrato | Manter fidelidade ao público não foi erro, mas estratégia

Foram diversas as expectativas dos caririenses quando anunciado novas produtoras responsáveis pela parte de shows musicais da Expocrato. Houve quem esperasse por uma transformação total da grade diversificando o que estava estabelecido por mais de uma década pela RBA Produções e Luan Promoções, responsáveis por um significativo salto de investimentos nos shows, como quem não esperasse nada de diferente.

O momento para receber uma nova equipe não seria melhor. Este ano o Parque de Eventos Pedro Felício Cavalcante passa por sua maior reforma, com orçamento na ordem de R$ 35 milhões, que deve dar mais conforto aos expositores e maior acessibilidade aos visitantes, incluindo a área de shows, que receberá piso intertravado com capacidade para 30 mil pessoas.

Nesse contexto o grupo formado pelas empresas Grupo Arte Produções, Multi Entretenimento, Social Music e Mega Som, novos produtores de Fortaleza e do Cariri, foi estratégico. Lança um novo conceito, mas sem tantas diferenças assim. Nova logo, novo nome, novas cores, mas com programação musical que não diverge tanto das experiências passadas.

De bobos a Multi Entretenimento e a Arte Produções não tem nada. Vale lembrar que foram eles os responsáveis por realizarem shows de grande porte no Ceará. Entre os nomes de peso estão Paul McCartney, Elton John, Beyoncé, Jennifer Lopez, Demi Lovato, Guns N’ Roses, Scorpions, Iron Maiden, Roberto Carlos, Gilberto Gil e Gal Costa. Sem contar os eventos Ceará Music, Villa Mix Fortaleza, Aviões Fantasy, Festival de Verão de Salvador, FIFA Fan Fest, Reveillon de Fortaleza, entre outros.

Mesmo assim, para os líderes as produtoras, realizar a Expocrato não é brincadeira de criança. Segundo declarou João Carlos Diógenes, diretor da Arte Produções, em entrevista exclusiva à CARIRI “Para nós, fazer a Expocrato é tão grande quanto fazer Paul McCartney e Elton John. É o mesmo desafio. Parece que estamos começando tudo de novo”.

Exageros a parte, a Expocrato é um evento ícone para o Norte-Nordeste. Fato. Movimentam-se na base dos 50 a 60 milhões de reais na semana de eventos, que chega a registrar em seu auge 500 mil visitantes, oriundos de diversas cidades do Nordeste.

> Veja programação completa do Festival Expocrato 2018

Realizar este evento não é brincadeira de criança. Mudar drasticamente a grade de shows seria tanto arriscado quanto burrice. Afinal, encarando a realidade sem firulas, vivemos em uma região que estima a música de massas. Lotam-se shows de Wesley Safadão, Xand Avião e tantos outros nesse campo do entretenimento. É de forró que o grosso do cearense gosta e não há como negar.

Por isso mantem-se sua predominância na programação, alinhada com a inclusão crescente do sertanejo. São milhares de ingressos garantidos. Não é por acaso que apenas um dia após o início das vendas esgotou-se o pacote para todos os dias de shows da meia entrada VIP.

No entanto, as mudanças são visíveis: MPB volta, Rock nacional chega, bandas locais são inclusas e até mesmo a noite do Forró das Antigas vem diferente. É Raimundo Fagner que abre a edição 2018. Nos últimos dois anos, os nomes de destaque foram Marília Mendonça e Sorriso Maroto.

Nomes que não se via por aqui há tempos como Fábio Jr e José Augusto voltam à programação. O anuncio de banda Skank gerou euforia. O rock de Selvagens a Procura da Lei, naturais de Fortaleza, subirá ao palco da maior festa do Cariri pela primeira vez. A grande Natiruts é o principal nome na noite do reggae. Ainda há os diferentões Jetlag e Vintage Culture, com a música eletrônica.

Nem mesmo o ideal dos grandes Festivais consolidados como Rock in Rio, criado em 1985, ou o americano Coachella, da década de 1990, resistiram às ambiciosas tendências. Compare line ups e veja o pop, rap e o dance music crescer e encolher o Rock.

Se em algumas décadas passadas a programação da Expocrato era um sonho de consumo com Luiz Gonzaga, Belchior, Ednardo, Hermeto Paschoal, Nação Zumbi, Alceu Valença e mais, foi nos últimos 17 anos que tudo mudou com o avanço do forró eletrônico. Seria possível mudar novamente? Como o público responderia? O que os festivais culturais poderiam ensinar ao Crato?

Ainda baseando-se nas afirmações do diretor da Arte Produções, João Carlos, transformar o conceito da festa em Festival é “um processo de amadurecimento”, assim como seria sua grade em transformação progressiva.

Mesmo assim, ainda não é dessa vez que os caririenses mais apaixonados e apreciadores do Festival de Inverno de Garanhuns, onde a programação é majoritariamente formada pela MPB, poderão trocar a festa pernambucana pela programação cratense.

 


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Fotografia: Reprodução

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