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Jovens cientistas do Cariri criam sistema simples e barato de purificação da água

Em 2014, três estudantes juazeirenses participaram do quadro competitivo “Jovens Inventores” do programa de TV Caldeirão do Huck, levando, por votação pública, o prêmio de melhor invenção e também o cheque de R$ 30.000 para casa. Desde então, a ideia de Larissa Brenda, Adelaide Laleska de Oliveira e Nicácio Júnior de purificar água suja (resíduo doméstico) através do aquecimento solar tem ganhado o Brasil e o mundo em feiras científicas, congressos internacionais e premiações estudantis. Sustentável e de fácil execução, o “Água Renovada” como batizaram o projeto, parte da premissa de que qualquer pessoa pode renovar sua água doméstica no quintal da própria casa.

Quando ainda cursava o Ensino Médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Larissa Brenda viu um curioso documentário que lhe despertou uma grande ideia. “Era a história real de como um homem perdido no deserto conseguiu se manter vivo purificando a água da própria urina para beber”, ela conta. Apesar de soar grosseiro, a técnica usada por ele deu a Larissa, Laleska e Júnior precedente suficiente para começarem experimentos, aproveitando o desafio escolar feito na época pelo professor Ricardo Fonseca,  que mais tarde seria orientador do premiado projeto.

“Como nossa região e as regiões vizinhas têm graves problemas por falta d’água e falta de saneamento básico, queríamos criar um sistema fácil e simples em que cada casa pudesse purificar e reaproveitar sua água para uso doméstico”, Larissa explica. Então fizeram uso do sol – sustentável e gratuito – e a tradicional “quentura” do Ceará como motor do sistema.

 

 

Após testes em campo e em laboratório, veio a comprovação de que os processos de evaporação, destilação e condensação conseguiam purificar a água de forma a ser reutilizada sem necessidade de processos químicos. “Testamos com água muito suja, com sabão, óleo etc. e ficamos impressionados com o resultado que era uma água transparente e limpa”, afirma.

Para reproduzir o sistema, o interessado precisa de uma área aberta com um buraco de 1,30m de diâmetro, lona preta impermeável, lona transparente, balde, funil e panos com microporos. A média de 50 litros água suja depositada, a cada dois dias de bom sol, se retira 2 litros de água limpa. E assim vai até todos os dejetos decantarem e a água evaporar. A água limpa, por sua vez, pode ser usada para regar jardins, hortas, limpeza doméstica, uso na descarga, lavagem de carros etc. Só não pode ser consumida.

Com o projeto, os três participaram de feiras nos estados do Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Também visitaram, em 2014, Medelín, na Colômbia, para apresentar o sistema na feira latino-americana ESI AMLAT. Apenas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), em São Paulo, conquistaram 10 prêmios de melhor projeto.

Atualmente, os jovens cientistas encabeçam outros projetos, sem largar a ciência. Larissa estuda Medicina na Universidade Federal do Ceará, onde pesquisa doenças genéticas, Laleska está na graduação em Fisioterapia no Centro Universitário Dr Leão Sampaio e Nicácio Júnior se formando como engenheiro de materiais pela Universidade Federal do Cariri.

 

Passo 1

 

Passo 2

 

Passo 3

 

Professor Ricardo e os jovens cientistas.

 

Larissa Brenda, Nicácio Junior e Adelaida Laleska.

 


Foto de destaque: TV Globo/Caldeirão

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