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“Iracema dos lábios de mel: o musical” estreia no Theatro José de Alencar

Adaptado e dirigido pelo dramaturgo Ilclemar Nunes a partir da obra clássica de José de Alencar, o espetáculo faz curta temporada, de 05 a08 de outubro, no palco principal do TJA

*Informações da assessoria de imprensa

A icônica história do amor proibido entre a índia tabajara Iracema e o guerreiro branco português Martim, criada pelo escritor José de Alencar, ganha estreia de inédita e livre adaptação pelo dramaturgo e diretor cearense Ilclemar Nunes. A versão “Iracema dos lábios de mel: o musical” faz curta temporada no palco principal do Theatro José de Alencar (TJA), ficando em cartaz de 05 a 08 de outubro (de quinta-feira a domingo), às 19 horas.

Com elenco formado por 23 atores cearenses, músicos e equipe técnica composta basicamente por grandes profissionais locais, o musical mostra de forma visceral o amor dos protagonistas, que viceja no nascimento do brasileiro fruto dessa miscigenação: o mameluco Moacir, entre as guerras, a paixão, a amizade e os ritos dos índios que habitaram o Ceará.

A dramaturgia de “Iracema dos lábios de mel: o musical”, escrita por Ilclemar desde 1991 para o teatro, já foi antes de encenada como peça, transformada pelo autor em roteiro carnavalesco para o desfile da Escola de Samba Beija-flor de Nilópolis nesse ano. Agora, a singularidade do musical adaptado do romance original chega enfim aos palcos, tendo a personagem-título interpretada pela jovem Larissa Goes, enquanto o ator André Ximenes faz o papel de Martim (figura baseada no real primeiro colonizador português do Ceará, Martim Soares Moreno, que impõe aos índios a cultura civilizadora cristã europeia).

Ilclemar atribuiu vida aos aldeões e guerreiros das tribos Potiguares (do litoral e aliada dos portugueses) e Tabajaras (tribo de Iracema, nas serras cearenses, aliada dos franceses), que eram apenas citados na obra literária.

O musical traz as nuances todas do livro indianista: as guerras entre as tribos indígenas por domínios geográficos; a chegada do português Martim pelas terras potiguares, o que amplia o conflito em torno do romance com a índia da tribo inimiga dos tabajaras; a questão do abandono e dos desterros cearenses, até vir à luz o primeiro miscigenado Moacir, esse rebento mameluco brasileiro de quem somos todos “descendentes”. Para tamanha precisão e renovações, Ilclemar iniciou a montagem, reunindo elenco, músicos e toda a equipe técnica formada por cearenses, com exceção do maestro e compositor sergipano Ubirajara Cabral.

 

Apaixonado pela obra e autor, Ilclemar repete um mantra que sempre “ao reler Iracema, me enterneço como da primeira vez; e mesmo hoje assistindo novamente às cenas como teatro musical, eu me emociono demais”, confessa, reiterando que “Alencar transforma o seu romance em verdadeira ode à beleza da nossa Terra da Luz”. Essa eternizada louvação ao livro remonta ainda ao ano de 1991, quando Nunes recebeu da Secretaria da Cultura do Estado (Secult) o convite para escrever um espetáculo em comemoração aos primeiros quatro anos do órgão estadual na então gestão do Governo Tasso Jereissati. A liberdade para a criação resultou na primeira versão da adaptação musical de Iracema.

Ilclemar distingue ao situar que a obra tem respaldo até em outras plagas. “Dei sorte, pois Iracema é um ícone nacional, não só cearense. Aliás, para terem uma idéia da universalidade do romance, em Cuba é usado até em questões no vestibular, além das traduções emvárias línguas, adaptações para cinema e encenações”. O hiato de 25 anos entre a criação até a montagem atual do espetáculo se deu por outra fábula.  Apesar de ter os recursos assegurados, esbarrou na falta de profissionais na época para a devida captação e produção. Depois disso, já no ano passado, Nunes não resistiu e criou a versão do espetáculo como roteiro para o desfile da escola de samba carioca Beija-flor levar a história de Iracema à Sapucaí, em fevereiro.

Nunes, que já fazia carreira no Rio de Janeiro e também fora por três décadas jurado dos desfilesde carnaval carioca, adaptou a obra, mandou o enredo à porta-bandeira da Beija-Flor, a Selminha Sorriso (Selma Rocha), que adorou e passou ao diretor de Carnaval da Escola, o Laíla. De prontidão ele chamou Ilclemar para o trabalho e se fincar pelo Rio, onde desde 2001 dividia morada, entre estadas por Fortaleza. O sucesso do enredo e show foi bem além da 6ª colocação da escola no carnaval, e só motivou mais ao dramaturgo retornar à produção do espetáculo em teatro musical, que estréia nesse mês de outubro por Fortaleza.

Após a curta temporada de lançamento, “Iracema dos lábios de mel: o musical” retornará ao Theatro José de Alencar em 2018. No próximo ano, o musical também deve seguir em circuito nacional para mostras e apresentações no Rio de Janeiro, em São Paulo e Brasília, e já está em negociação para desembarcar em Portugal com o apoio da Câmara de Comércio Brasil/Portugal.

:IRACEMA DOS LÁBIOS DE MEL: O MUSICAL

Local: Palco principal do Theatro José de Alencar (Praça José de Alencar s/n – Centro)

Data: De 05 a 08/10/17 (quinta-feira a domingo).

Horários: 19h

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)

Classificação indicativa: 14 anos.

Mais informações: (85) 3101-2566

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