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Hospital São Vicente deixa de realizar partos de risco habitual

Por problemas financeiros, a Maternidade do HMSVP passa a se dedicar apenas a partos de alto risco

O Hospital Maternidade São Vicente de Paulo convidou prefeituras e secretarias de saúde de 38 cidades do Cariri e outras regiões do Ceará para encontro na manhã da quarta-feira (22), a fim expor as mudanças que a instituição vai empreender nos atendimentos em sua maternidade. Na semana passada, o Hospital anunciou o corte nos atendimentos de baixa complexidade em seu Pronto-Socorro, a entrar em vigor nesta sexta-feira (24). As alterações acontecem como contenção de gastos em um momento em que o HMSVP passa por dificuldades financeiras e enfrenta dívidas.

José Vandevelder, prefeito de Farias Brito, e Maria de Jesus, prefeita de Jati, foram os únicos representantes do poder executivo das 38 cidades a participar do encontro, além das Diretorias Regionais de Saúde de Brejo Santo, Juazeiro do Norte e Crato. Antônio Ernani de Freitas, secretário-executivo do HMSVP, apresentou a nova mudança no funcionamento da Maternidade, que irá afetar todas as cidades. Realizando cerca de 250 partos a cada mês, o atendimento da Maternidade gerou uma conta de R$ 1.669.991,15 que não foram repassados pelas prefeituras para o Hospital. A fim de quitar as dívidas e realizar ampliações nas estruturas do bloco cirúrgico, da urgência e emergência e de outras áreas, a administração precisa receber a quantia acumulada ao longo de sete anos.

Apenas nos primeiros cinco meses de 2016, foram realizadas 231 cesarianas para pacientes de diversas cidades, sem haver repasse do pagamento por meio dos municípios. No ano passado, 549 cirurgias deixaram uma dívida de 618 mil reais no Hospital. Ainda em 2015, segundo Ernani, o HMSVP precisou recorrer a um empréstimo de R$ 700 mil para pagar o 13º salário de seus funcionários. Com a data se aproximando mais uma vez, a diretoria diz não saber o que fazer. Até o ano passado, o calote das prefeituras municipais era pago em partes pelo Governo do Estado, que já avisou não ter condições de assumir as dívidas em 2016. O HMSVP informou que deve se dedicar a realizar partos de alto risco à gestante, deixando os de risco habitual para cada município.

Desde o início da greve dos servidores da saúde em Barbalha, o Pronto-Socorro do Hospital vinha abrindo suas portas aos pacientes que deveriam estar sendo atendidos nas Unidades Básicas de Saúde, mesmo que, em tese, o Hospital deva se dedicar a atendimentos de média e alta complexidade. Médicos, enfermeiros e dentistas das UBS de Barbalha continuam de greve e a Unidade de Pronto Atendimento deve inaugurar no dia 17 de agosto. Apesar de haverem 55 mil habitantes em Barbalha, 80 mil cartões do SUS estão registrados na cidade, apontando o grande número de pessoas que tentam achar ali o atendimento que não têm em seus municípios.

SOBRE A CESÁREA

56% dos partos realizados no São Vicente são cesarianas, enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda que o número se estabeleça em 15%. Na rede privada, em todo o Brasil, chega a 83%.

Na última segunda-feira, o Conselho Federal de Medicina decidiu que os médicos só podem realizar cesáreas eletivas, a pedido da gestante, a partir da 39ª semana de gestação.

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