Juazeirenses
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Grandes juazeirenses

Em comemoração aos 105 anos de Juazeiro do Norte, convidamos Roberto Júnior, responsável pela página "Cariri das Antigas", para fazer uma lista de juazeirenses ilustres

Roberto Júnior é um jovem de 19 anos, que cursa História na Universidade Regional do Cariri e gasta seu tempo livre, entre o trabalho e a faculdade, remexendo a memória da região. A cabeça ainda nova não o impede de lembrar de juazeirenses que viveram décadas atrás – dizendo nome, sobrenome e ofício – e uma simples conversa com ele acaba sendo uma viagem ao passado.

Para homenagear os que fizeram a história da cidade que faz aniversário nesta semana, convidamos Roberto a pensar em uma lista de nomes importantes para Juazeiro do Norte. “Ah, seria impossível não colocar o Padre Cícero”, ele começa, e em seguida dispara os causos, histórias e relatos de uma cidade que ele não viveu e de pessoas que ele não conheceu pessoalmente, mas ajuda a mantê-las vivas em sua mente e nas postagens saudosistas da fanpage Cariri das Antigas. Curtimos.

Padre Cícero (1844 – 1934)

Padre Cícero2

Padre Cícero

Pelúsio Correia de Macedo (1867 – 1955)

Pelúsio

Foram muitas as contribuições de Pelúsio para a cidade: ele foi o primeiro telegrafista de Juazeiro, abriu o segundo cinema, foi dono da primeira oficina mecânica e maestro da primeira banda de música. Para completar, ele era relojoeiro de mão cheia. Sabe a Coluna da Hora, na Praça Padre Cícero? Ele que fez.

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Floro Bartolomeu (1876 – 1926)

Salvador (BA)

Floro Bartolomeu

Floro exerceu o ofício de médico no interior da Bahia e, aos 32 anos, mudou-se para o Cariri, encantado pela possibilidade de fazer dinheiro com a extração de minério na Mina do Coxa, em Aurora. Depois de fixar-se em Juazeiro, tornou-se amigo íntimo do Padre Cícero, criando uma aliança que favoreceria os dois. Através do prestígio do Padre, ele se elegeu deputado estadual e federal. Usando de sua articulação, foi responsável pela entrada do sacerdote na carreira política.

Floro lutou contra a Coluna Prestes em Campos Sales, atuou ativamente na Sedição de Juazeiro e imagina-se que sido responsável pela falsa patente de capitão entregue a Virgulino Ferreira, o Lampião.

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Benjamin Botto Abrahão (1890 – 1938)

Zahlé, Líbia

Benjamin Abrahão 3

Benjamin Abrahão

 

Fugindo da Primeira Guerra Mundial, ele aportou em Pernambuco e, quando soube da fama do Padre Cícero, rumou para Juazeiro do Norte, onde já chegou mentindo: para atrair a atenção do sacerdote, disse ser natural de Belém, a terra de Jesus Cristo. Ele aqui ficou, trabalhando como secretário pessoal do Padre. Em 1926, Benjamin conheceu Lampião na passagem do cangaceiro pelo Juazeiro. Dez anos depois, voltou a procura-lo para seguir seu bando, a fim de fazer filmagens para a Aba Film. O material é uma preciosidade para a história do país.

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Amália Xavier (1904 – 1984)

Amália Xavier

Amália Xavier 2

Amália não tinha nem 10 anos quando brincou sério de ser professora, ensinando adultos. Em 1934, ajudou a fundar a Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, a primeira desta instituição a ser instalada em uma zona rural. Escreveu o livro O Padre Cícero Que Eu Conhecia.

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Felipe Neri da Silva (1908 – 1960)

Felipe Neri

Casa Neri

Um dos comerciantes mais importantes do século passado, Felipe Neri foi presidente da Associação Comercial de Juazeiro do Norte. Morto em acidente de avião no Rio de Janeiro.

Assunção Gonçalves (1916 – 2005)

Assunção Gonçalves

Certamente a pintora mais prestigiada em Juazeiro na primeira metade do século XX. Foi professora e várias de suas telas foram reproduzidas em cartões telefônicos pela Telemar. Saiba mais.

Adauto Bezerra (1926 – )

Adalto Bezerra

Coronel Adauto Bezerra foi três vezes eleito deputado estadual e, mais tarde, deputado federal. Foi escolhido Governador do Ceará pela Arena em 1974.

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José Wilker (1944 – 2014)

José Wilker 2

José Wilker

“Ator, diretor, produtor, autor, atuante no teatro, no cinema e na televisão desde 1973, José Wilker não esconde a sua paixão pelo trabalho e a inevitabilidade de sua escolha. É um erudito exigente, contemporâneo ousado e conservador na qualidade. Discorre com fluidez sobre o que se produz no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa. E também é conhecedor do que se faz no Irã, na Índia e em pequenos países da África, numa busca constante de outras experiências, novos olhares. Ao falar do Cariri, Wilker revela que os amigos o apelidaram, justamente, de jagunço, em alusão à sua origem sertaneja e à leve rudeza que sobrevive à sofisticação. Conta que a relação mágica com a realidade apreendida na infância permanece até hoje, bem como a ironia lúdica tão característica dos cearenses. Foram as salas de cinema de Juazeiro, o teatro na escola e a biblioteca de seu tio professor – fontes únicas de cultura na cidade da época –, as primeiras influências que o levaram à profissão que exerce”.

[Tuty Osório, no perfil do ator que estampou a capa da CARIRI #2]

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