Fotografia, Revista 3

Fotografias e romarias

Romaria e fotografia vivem um casamento em crise. Nos anos dourados, que se estenderam de 1950 a 1980, Zé Barros era reconhecido pelos demais trabalhadores da Praça da Prefeitura Municipal como o melhor fotógrafo de lambe-lambe a armar sua parafernália em Juazeiro. Carlos Bezerra fotografava em monóculos no Horto e, de ter tanto romeiro querendo foto, ele se revezava entre as romarias de Padre Cícero e as de Frei Damião, em Canindé, para onde ele ia de Sonho Azul, o trem que saía de Juazeiro do Norte às 17h30. Domingos Frutuoso Gino, dono da loja na Rua São Paulo que levava seu sobrenome, era quem fornecia a chapa do lambe-lambe, o slide do monóculo, o rolo da câmera, a moldura da parede.

A Casa Gino baixou os portões pela última vez em agosto de 2016, fechando um capítulo na história da fotografia popular em Juazeiro do Norte – muitas vezes citada como a última cidade a concentrar fotógrafos de lambe-lambe, monóculo e fotopintores nas cidades pequenas do Nordeste. Ao Seu Gino faltavam os químicos, papéis fotográficos e outros materiais que as fábricas pararam de produzir. Aos fotógrafos como Carlos Bezerra, Zé Barros, Chico Alagoano, Zezito e Cícera de Chico, faltavam clientes. Com a popularização da câmera analógica nos anos 90, cada vez menos romeiros vinham pedir para “bater um retrato”.

Nada mais foi como antes. Até a pose do romeiro, que era séria, rígida, ereta, olhando para a câmera como se estivesse com raiva, hoje é outra: o romeiro tira selfies e faz coraçãozinho com a mão. Mas, enquanto a fotografia popular parou de fazer seus registros nas romarias de Juazeiro do Norte, veio a fotografia artística, através das lentes poderosas de grandes nomes da fotografia, para salvar esse casamento.

Nívia Uchôa

Nívia Uchôa é herdeira desses rolos de filmes, slides e câmeras analógicas. Ela começou a fotografar romarias em 1994 e, desde então, vem atualizando o projeto Gentes do Cariri, uma exposição que já dura anos e percorreu diversas galerias. Sempre em preto e branco, as fotos de Nívia, feitas em filmes de rolo, retratam a passagem do povo humilde e simples do sertão por Juazeiro.

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Augusto Pessoa

O paraibano Augusto Pessoa, que há mais de 15 anos botou os pés no Cariri pela primeira vez, diz que mais da metade do seu material foi clicado aqui. Um desses registros foi parar na capa da National Geographic: o calor das velas para Nossa Senhora das Candeias iluminando a pátio da Matriz de Juazeiro.

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Helio Filho

Helio Filho é um jovem fotógrafo de Nova Olinda, menino da Casa Grande e fissurado em registrar os momentos em que a cultura e a arte tomam conta das ruas do Cariri. Quando foi à romaria de Nossa Senhora das Candeias, em 2016, ele fotografou também momentos delicados de fé e devoção.

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Allan Bastos

Allan Bastos passou anos acompanhando os romeiros no Horto e nas feiras do centro, indo junto dos que pagam promessas de joelho e dos que percorrem os tortuosos caminhos que levam ao Santo Sepulcro.

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Sugestões de Leitura

  • O encanto da cultura regional do Cariri Cearense. Parabéns aos que fazem a publicação Cariri Revista.

  • Jefferson Jr.

    Fotos encantadoras! Quero agradecer a todos os funcionários da Cariri Revista e em especial ao meu amigo, Pedro Philippe, por nos concederem a oportunidade de conhecer melhor as coisas da nossa região.

  • Aline Sá

    Quanta satisfação! Sou do Cariri, de Barbalha, moro em Brasília há 12 anos e vejo esta matéria na página do curso de fotografia que estou fazendo. Muito orgulho do meu Padim Ciço! Muita alegria! Sucesso para vocês!