Arte e Cultura

Exposição Bestiário Nordestino segue em cartaz atraindo olhares para o universo das gravuras populares

Por Márcio Silvestre • 24 de janeiro de 2019

Visitar uma exposição de arte proporciona novas descobertas sobre o ser humano e sua relação com diferentes povos, culturas e valores. Os quadros e obras de arte nos fazem um convite para adentrarmos em um universo particular e encontrar muito de nós mesmos, através das sensações que essas obras podem nos provocar. Até o dia 17 de fevereiro, a exposição “Bestiário Nordestino – Um olhar sobre a gravura fantástica” estará em cartaz no Centro Cultural Banco do Nordeste de Juazeiro do Norte, uma oportunidade para conhecer o acervo que reúne xilogravuras, quadros e cordéis, sobre lendas e causos do imaginário nordestino.

Exposição Bestiário Nordestino (Foto: Márcio Silvestre)

“Haverá sempre um lugar em nós para uma animalidade particular, para o fantástico, o absurdo, o delirante, que desafia o real, perpetuando monstruosidades que permeiam nossos medos e pesadelos”, essa é parte da descrição que o Curador Rafael Limaverde faz da exposição. Junto com Marquinhos Abu, Rafael conseguiu reunir 40 peças de mais de 15 artistas de diferentes origens, em uma pesquisa iniciada em 2016, com o projeto Oco do Mundo.

Xilogravurista Carlos Henrique ao lado dos curadores da exposição Rafael Limaverde e Marquinhos Abu (Foto: Márcio Silvestre)

Contemplado pelo Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais, Bestiário Nordestino busca entender o mundo fantástico por trás das bestas feras, das animalidades, dos demônios e dos assustadores híbridos que habitam na cultura da xilogravura destacando-se na oralidade, cordéis e esculturas populares.

Dentre as obras da exposição, está um peixe híbrido com pernas, braços e olhos aterrorizantes, uma criação do xilógrafo cratense, Carlos Henrique “O nome do peixe, na época em que fiz era Fukushima, por conta do tsunami que ocasionou uma explosão nuclear em uma usina em Fukushima (Japão), em 2011. O acidente contamina constantemente as águas do oceano pacífico, provocando mutações nos animais marinhos”, afirma o artista sobre sua inspiração.

O Peixe Mutante, de Carlos Henrique (Foto: Márcio Silvestre)

Visitações

Nos primeiros 10 dias de exposição, cerca de 300 pessoas visitaram o Bestiário Nordestino, para a consultora cultural do CCBNB, Juliana Coelho, o dado demonstra a importância da exposição para a região do Cariri. “O Bestiário está indo muito bem. Percebemos que ele está funcionando como um grande atrativo trazendo pessoas ao Centro Cultural, que, por sua vez, aproveitam a visita para conhecer outros espaços e ver outras programações”, afirma.

“Normalmente as exposições ficam 45 dias abertas e são finalizadas com público médio de 350 a 400 pessoas. Em pouco tempo o Bestiário chegou a este número, tamanha sua relevância”, a consultora explica.

A Exposição Bestiário Nordestino permanece na Galeria de Artes do CCBNB, em Juazeiro do Norte, até 17 de fevereiro, com funcionamento de terça-feira à sábado, das 13h às 21h.

 

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Márcio Silvestre

Márcio Silvestre

Formado pela Universidade Federal do Cariri (UFCA), com experiência em Assessoria de Imprensa e Produção Cultural. "A comunicação e a arte se cruzam no meu caminho. Descobri no jornalismo a oportunidade de contar histórias e compartilhar conhecimento".