Arte e Cultura, Fotografia, Reportagens, Tradição 0

(Ex)pocrato: a festa que ficou na memória

Fotos: Memória Histórica do Crato 

Conta-se que foi o prefeito Wilson Gonçalves que deu a ideia ao criador de gado, Pedro Felício Cavalcante, para que os dois tentassem criar em Crato um grande evento agropecuário. Wilson, que era prefeito da cidade naquele ano de 1944, conseguiu apoio do Governo do Ceará e até da Igreja, que cedeu o terreno da Casa de Caridade (onde hoje está a Universidade Regional do Cariri). Pedro Felício foi nomeado o patrono da Exposição Regional Agropecuária, que aconteceu entre 4 e 7 de dezembro daquele mesmo ano.

A crise que sucedeu o fim da Segunda Guerra Mundial impossibilitou a renovação do evento nos anos que se seguiram e só em 1953, sob a gestão de Décio Teles Cartaxo, foi que a Exposição aconteceu pela segunda vez, de 17 a 14 de outubro. Reza a lenda que até Café Filho, o vice-presidente de Getúlio Vargas, visitou o Crato naquela festa. A terceira, a quarta e a quinta edições aconteceram no antigo Bosque, a área cheia de árvores e um pequeno lago, onde hoje está a Praça Alexandre Arraes, até que o prefeito Ossian Araripe construiu o Parque de Exposições, batizando-o com o nome do criador de gado zebu, Pedro Felício Cavalcante, e esticou o evento para sete dias.

Em 1959, ela entra para o calendário de eventos da agropecuária e, em 1976, passa a abrigar também a Exposição Centro-Nordestina de Produtos Derivados.

Expocrato (4)

Expocrato (1)

Josernany Oliveira:
“Sempre em dia de Copa do Mundo, Alceu Valença tocava no Crato e o Brasil perdia. Virou a lenda, de que a gente perdia a Copa por culpa de Alceu”.

Josernany

Quando eu era criança, não existia aquela parte de baixo, onde hoje é a festa. Ali era um lago. A parte de cima era onde funcionava tudo. Onde tem o picadeiro, tocava Luiz Gonzaga e, com o passar do tempo, o trio elétrico Asas da América começou a tocar no picadeiro e os shows pagos foram pra o Tênis Clube, onde tocava Lobão, RPM, Gilberto Gil. Naquela época tinha o Xá de Flor, que era o bar alternativo, o Losetas e o Coisa e Tal. Eram as três barracas alternativas.

Depois criaram a parte de baixo, onde hoje acontecem os shows. No último ano em que o Raimundo Bezerra foi prefeito, 500 artistas passaram pelo palco. Eu me lembro de uma apresentação maravilhosa de Maracatu do Pernambuco. Aquele foi também o último ano em que a festa foi gratuita.

Trio Asas da América

Trio Asas da América

Iapunira Teixeira:
“Pelo picadeiro passaram artistas como Genival Lacerda e Jackson do Pandeiro, mas também existiam as barracas que tinham suas próprias atrações.”

Iapunira

A Feira para mim tinha uma função social muito importante porque as famílias aqui do Crato, quando passaram pelo revés econômico e foram à falência porque investiram nas fábricas que não deram certo, elas tinham na exposição uma forma de sobreviver. No aspecto político, a gente já sabia: quem fosse se candidatar a prefeito, tinha primeiro que passar pela diretoria da Expocrato. A maior festa era a da padroeira Nossa Senhora da Penha, que acontecia em agosto, mas, com a vinda da exposição, decaiu um pouco. Era uma superfesta. De tão grande, a parte do parque ficava onde hoje é a RFFSA. E o centro do Crato ficava lotado de gente.

Eu acho que a Expocrato precisa melhorar o aspecto técnico do evento. Precisam reestruturar não só o parque, mas que ela cumpra a função para a qual ela foi criada.Hoje nós temos um crescimento na caprinocultura. A exposição é mais de caprinos do que de bovinos. Antigos expositores dizem que os bancos facilitavam as negociações dos criadores. Antes os bancos ficavam lá e a aquisição era mais fácil. Havia até uma música que dizia ‘venha para a exposição do Crato / os bancos asseguram seu contrato’. Falta articulação para garantir a venda e compra.

Eloi Teles anuncia Luiz Gonzaga no picadeiro

Eloi Teles anuncia Luiz Gonzaga no picadeiro

Sugestões de Leitura