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Estudantes produzem biojoias e carvão ecológico em escola de Juazeiro do Norte

O projeto já conquistou destaque nos principais eventos de Ciência estudantil do Brasil

Na E.E.F.M Tiradentes, em Juazeiro do Norte, um projeto protagonizado por alunos do Ensino Médio se destaca por seu engajamento socioambiental e pelas premiações que vem colecionando Brasil adentro: o Folhas Secas no Chão da Escola.

Iniciado a partir de um desafio de botânica lançado pelo professor de Biologia João Rodrigues Tenório, a turma do 2º ano de 2014 deveria encontrar uma resposta criativa para o dilema: O que fazer com as folhas secas das árvores que arborizam a escola? Seu único destino deve ser o lixo?

Surpreendendo o professor com sua criatividade e determinação, o grupo, liderado na época pelos alunos Carlos Eduardo Sampaio e Josias Wesley Olegário, ofereceu três alternativas viáveis para a destinação das folhas secas: com as folhas de Mangueira e Juá, folhagens mais resistentes, fariam sua esqueletização para produção de biojoias; já com os galhos, sobras de alimentos e folhas frágeis, fariam a compostagem, que lhes daria adubo orgânico; e com o restante das folhas – a escola tem uma vasta arborização, portanto, muito material orgânico disponível – fariam blocos de briquetes, uma substituto do carvão mineral.

 

Bastante arborizada, a E.E.F.M Tiradentes, em Juazeiro do Norte, foi local de inspiração do projeto. (Fotos: Alana Maria)

 

Orientado pelo professor João Tenório, o Folhas então se tornaria um dos melhores projetos socioambientais já desenvolvidos no ensino público. Fato este comprovado, o Folhas levou 1º lugar em sua categoria nas Feiras Regional e Estadual de Ciências e Cultura, o Ceará Científico, em 2015 e 2016.

Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido em feiras e mostras, trazendo para casa medalhas e títulos pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), no Rio Grande do Sul, pelo Movimento Científico Norte e Nordeste (Mocinn), no Maranhão, e pela Mostra Científica do Cariri (Mocica), em Juazeiro do Norte.

 

O professor e os líderes da equipe: João Tenório, Bruno Paulo, Francisco Welysson, Carlos Eduardo e Josias Wesley Olegário (da esq. para a dir). (Fotos: Alana Maria)

 

CONTINUIDADE E EXPANSÃO

Após quatro anos, o projeto continua ativo na escola de origem. Ou melhor, se reinventa e renova agora sob liderança de Francisco Welysson e Bruno Paulo, alunos do 2º ano, com a ajuda também de outros membros. “A ideia é que o projeto não pare. Nesse segundo momento, estamos aperfeiçoando o método e levando o projeto para além dos muros da nossa escola. Estamos difundindo a ideia nas escolas próximas”, explica o aluno Francisco, que se voluntariou para participar do Folhas.

Credenciados para participar da Feira Latino-Americana de Ciência e Empreendedorismo em abril deste ano no Equador, Bruno e Francisco agora buscam formas de apoio e patrocínio para conseguirem custear as passagens.

 

Bio joias produzidas a partir de folhas de Juazeiro e Mangueira (Fotos: Alana Maria).

 

Estudante Fernanda Kelly prova e aprova a bio joia. (Fotos: Alana Maria)

 

PAIXÃO E ORGULHO

“Somos orgulhosos desse projeto”, declara o ex-aluno Carlos Eduardo, que diz ter ganhado muitas oportunidades após o Folhas. Compartilhando o sentimento, Josias Wesley, também da primeira equipe, acrescenta que, apesar da ideia não ser totalmente original, o impacto da atividade sobre a curiosidade dos colegas em torno das Ciências foi extremamente positivo. “Tudo o que criamos surgiu de pesquisas conduzidas em sala de aula, então a tecnologia em si já existe há muito tempo. Mas, ao longo desse trabalho, envolvemos muitas pessoas e conquistamos mais adeptos para os projetos de ciências da escola”, avalia.

O estudante Bruno, que está no Folhas a pouco mais de um ano, já sente seu próprio crescimento com o projeto. “É grande a experiência e o conhecimento que ganhamos participando deste trabalho. Pudemos conhecer outras culturas, trocar contato com estudantes de outros países e mesmo do nosso próprio país”, comenta.

O professor João Tenório explica que nenhum dos produtos são vendidos, nem as joias, nem os briquetes. “Não vendemos. Apenas oferecemos a sugestão alternativa”, afirma. “Nosso intuito é puramente educacional”.

 

Composteira caseira produzida pelos estudantes (Fotos: Alana Maria)

 

Briquetes, um substituto do carvão mineral, produzido a partir de folhas secas.
(Fotos: Alana Maria)

 

 

A PRODUÇÃO

 

 

CONHEÇA MAIS SOBRE O FOLHAS

E.E.F.M Tiradentes

Endereço: Av. Castelo Branco, S/N, bairro Novo Juazeiro – Juazeiro do Norte

Contato: (88) 3102-1183

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