Cariri Sustentável

Estudantes produzem biojoias e carvão ecológico em escola de Juazeiro do Norte

Na E.E.F.M Tiradentes, em Juazeiro do Norte, um projeto protagonizado por alunos do Ensino Médio se destaca por seu engajamento socioambiental e pelas premiações que vem colecionando Brasil adentro: o Folhas Secas no Chão da Escola. Iniciado a partir de um desafio de botânica lançado pelo professor de Biologia João Rodrigues Tenório, a turma do Saiba mais

Por Alana Maria • 26 de janeiro de 2018

Na E.E.F.M Tiradentes, em Juazeiro do Norte, um projeto protagonizado por alunos do Ensino Médio se destaca por seu engajamento socioambiental e pelas premiações que vem colecionando Brasil adentro: o Folhas Secas no Chão da Escola.

Iniciado a partir de um desafio de botânica lançado pelo professor de Biologia João Rodrigues Tenório, a turma do 2º ano de 2014 deveria encontrar uma resposta criativa para o dilema: O que fazer com as folhas secas das árvores que arborizam a escola? Seu único destino deve ser o lixo?

Surpreendendo o professor com sua criatividade e determinação, o grupo, liderado na época pelos alunos Carlos Eduardo Sampaio e Josias Wesley Olegário, ofereceu três alternativas viáveis para a destinação das folhas secas: com as folhas de Mangueira e Juá, folhagens mais resistentes, fariam sua esqueletização para produção de biojoias; já com os galhos, sobras de alimentos e folhas frágeis, fariam a compostagem, que lhes daria adubo orgânico; e com o restante das folhas – a escola tem uma vasta arborização, portanto, muito material orgânico disponível – fariam blocos de briquetes, uma substituto do carvão mineral.

 

Bastante arborizada, a E.E.F.M Tiradentes, em Juazeiro do Norte, foi local de inspiração do projeto. (Fotos: Alana Maria)

 

Orientado pelo professor João Tenório, o Folhas então se tornaria um dos melhores projetos socioambientais já desenvolvidos no ensino público. Fato este comprovado, o Folhas levou 1º lugar em sua categoria nas Feiras Regional e Estadual de Ciências e Cultura, o Ceará Científico, em 2015 e 2016.

Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido em feiras e mostras, trazendo para casa medalhas e títulos pela Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), no Rio Grande do Sul, pelo Movimento Científico Norte e Nordeste (Mocinn), no Maranhão, e pela Mostra Científica do Cariri (Mocica), em Juazeiro do Norte.

 

O professor e os líderes da equipe: João Tenório, Bruno Paulo, Francisco Welysson, Carlos Eduardo e Josias Wesley Olegário (da esq. para a dir). (Fotos: Alana Maria)

 

CONTINUIDADE E EXPANSÃO

Após quatro anos, o projeto continua ativo na escola de origem. Ou melhor, se reinventa e renova agora sob liderança de Francisco Welysson e Bruno Paulo, alunos do 2º ano, com a ajuda também de outros membros. “A ideia é que o projeto não pare. Nesse segundo momento, estamos aperfeiçoando o método e levando o projeto para além dos muros da nossa escola. Estamos difundindo a ideia nas escolas próximas”, explica o aluno Francisco, que se voluntariou para participar do Folhas.

Credenciados para participar da Feira Latino-Americana de Ciência e Empreendedorismo em abril deste ano no Equador, Bruno e Francisco agora buscam formas de apoio e patrocínio para conseguirem custear as passagens.

 

Bio joias produzidas a partir de folhas de Juazeiro e Mangueira (Fotos: Alana Maria).

 

Estudante Fernanda Kelly prova e aprova a bio joia. (Fotos: Alana Maria)

 

PAIXÃO E ORGULHO

“Somos orgulhosos desse projeto”, declara o ex-aluno Carlos Eduardo, que diz ter ganhado muitas oportunidades após o Folhas. Compartilhando o sentimento, Josias Wesley, também da primeira equipe, acrescenta que, apesar da ideia não ser totalmente original, o impacto da atividade sobre a curiosidade dos colegas em torno das Ciências foi extremamente positivo. “Tudo o que criamos surgiu de pesquisas conduzidas em sala de aula, então a tecnologia em si já existe há muito tempo. Mas, ao longo desse trabalho, envolvemos muitas pessoas e conquistamos mais adeptos para os projetos de ciências da escola”, avalia.

O estudante Bruno, que está no Folhas a pouco mais de um ano, já sente seu próprio crescimento com o projeto. “É grande a experiência e o conhecimento que ganhamos participando deste trabalho. Pudemos conhecer outras culturas, trocar contato com estudantes de outros países e mesmo do nosso próprio país”, comenta.

O professor João Tenório explica que nenhum dos produtos são vendidos, nem as joias, nem os briquetes. “Não vendemos. Apenas oferecemos a sugestão alternativa”, afirma. “Nosso intuito é puramente educacional”.

 

Composteira caseira produzida pelos estudantes (Fotos: Alana Maria)

 

Briquetes, um substituto do carvão mineral, produzido a partir de folhas secas.
(Fotos: Alana Maria)

 

 

A PRODUÇÃO

 

 

CONHEÇA MAIS SOBRE O FOLHAS

E.E.F.M Tiradentes

Endereço: Av. Castelo Branco, S/N, bairro Novo Juazeiro – Juazeiro do Norte

Contato: (88) 3102-1183

Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE