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De Juazeiro do Norte ao Deserto do Saara: desbravando Marrocos

Por Alana Maria • 13 de maio de 2018

Fugindo do convencional e até me surpreendendo comigo mesmo, confesso que nem em mil e uma noites pensei que um dia estaria no Marrocos. Para ser honesto, a única referência que tinha sobre o país era a visão dada pela novela O Clone. Hoje posso confessar que esse país norte-africano me proporcionou uma das experiências mais fantásticas e exóticas de minha vida.

Eu estava em um intercâmbio na Irlanda quando surgiu a oportunidade da viagem. A grande oferta pacotes turísticos e de voos partindo direto de Dublin para Marrakesh facilitou a decisão, mas o maior incentivo foi a maravilhosa oportunidade de dormir uma noite no Deserto do Saara.

FOTO: Romulo Borges Fontes

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CONHECENDO MARRAKESH

Logo de cara, o Marrocos me surpreendeu por sua arquitetura e explosão de cores. O vermelho, as construções em argila e cheia de arcos… Desde o primeiro momento pude sentir que estava em solo e cultura totalmente diferentes das minhas origens. Para se ter uma noção, o hotel em que me hospedei ficava em frente à mesquita Koutoubia, a mais importante de Marrakesh e uma das maiores do mundo islâmico. Construída em 1147, ela se destaca por sua cor, dada pela pedra de arenito rosada, típica da cidade.

À noite, a praça Jemaa el Fna se transforma em local onde é possível encontrar de tudo: de comida à roupa, de artigos de decoração a encantadores de cobras, das histórias de superação à simpatia de um povo humilde, mas cheio de vida. Lá, lembro de encontrar um curioso vendedor de pequenas esculturas em mármore que, com seu inglês meio arcaico, arrancava gargalhadas dos passantes.

Outro espetáculo é a culinária, tão repleta de especiarias e aromas. Sua principal característica é o uso magistral que fazem do doce e do salgado. São diversos os ingredientes utilizados nos pratos tradicionais, fazendo com que o contraste de sabores seja comum nessa gastronomia. Não deixe de experimentar o harira, uma sopa a base de leguminosas, hortaliças e condimentos, além de carne, e o tagine, preparado com carne ou pescado e servido com diferentes tipos de verdura. Se tiver a oportunidade, não deixe de tomar o famoso suco de laranja da praça. É incomparável! Ah! Outra coisa: não se esqueça do pão. Ahhh, o pão!

NOITES NO DESERTO

Apesar de toda essa beleza, o destino mais aguardado era o Deserto do Saara. De Marrakesh até lá foram 350 km de muita cultura, sabores e surpresas, como, ter a visão de montanhas com pico de neve em pleno Marrocos! No caminho, pude parar em alguns pontos e conhecer, por exemplo, lojas do famoso óleo de argan, onde artesãos demonstraram todo o seu processo de extração — o óleo é diretamente extraído de nozes encontradas apenas no país. Também conheci a cidade fortificada de Aït-Benhaddou, na antiga rota de caravanas, na colina do Alto Atlas, à beira do rio Ounila, constituída por um grupo de várias pequenas fortalezas, ou casbás, chegando a ter 10 metros de altura cada, onde, atualmente, ainda vivem oito famílias. E mais a frente, em meio a vielas, lojas de lenços, tapetes, pinturas a óleo, museus e afins, reconheci o local que serviu de cenário para vários filmes históricos, como Gladiador e Alexandreo grande.

Entre contemplações e compras, segui viagem. Encontrei repouso em um hotel no Dades Gorge, uma espécie de desfiladeiro do rio Dades, entre as montanhas Atlas. É um dos pontos turísticos mais visitados, por conta das impressionantes paisagens desérticas, dos bosques de palmeiras, dos oásis e das aldeias que acompanham o curso do rio em meio a espetaculares formações rochosas. A noite do deserto é um show à parte —cheguei a ver mais de 10 estrelas cadentes no festival de luzes que é seu céu e luar.

Caro amigo leitor

Tenha em mente que uma coisa é saber que o Saara é popularmente conhecido como o maior deserto quente do mundo, sendo maior que a área de países continentais como Brasil, Austrália e Índia. Outra coisa completamente diferente é presenciar sua imensidão de perto. Confesso que me senti anestesiado, sem saber o que pensar ou fazer. Apenas fiquei boquiaberto diante de sua magnificência, observando o milagre que é a criação, a vida.

Como todo bom turista, tive direito a um passeio de camelo pelas imensas dunas de areia. Enquanto a caravana seguia por aquele mar sem fim de areia, a ideia de infinito começava a fazer sentido na minha cabeça. Tenho certeza que irei me lembrar dessa experiência pelo resto da vida.

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Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE