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ENTREVISTA | Comércio de Juazeiro do Norte cresce 3% em 2016

Dos R$ 268 milhões arrecadados pelo ICMS no Cariri, 69% saiu de Juazeiro do Norte. Quase tudo veio do setor de comércio e serviços, que ainda é o principal motor da cidade, mas sem participação e apoio do poder público

Michel Oliveira Araújo é presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) em Juazeiro do Nortes desde 2011. Ele acredita que, durante um período de crise financeira, “uns choram, outros vendem o lenço”. O comércio de Juazeiro do Norte vendeu lenços em 2016, mas não graças aos gestores locais. Na análise de Michel, o crescimento em vendas na cidade se deve ao turismo religioso e aos compradores que não param de chegar do Pernambuco, da Paraíba, do Piauí e do Rio Grande do Norte.

À frente da World Micro Informática, ele vende softwares de gestão comercial, que se tornaram mais procurados depois do baque nas finanças, que fez os lojistas atentarem para suas operações. Enquanto presidente da CDL, ele promoveu viagens com os empresários para o Panamá e para a China, preparou um estudo sobre a importância do setor de comércio e serviços da cidade e vem batalhando por uma aproximação do governo municipal com os lojistas.

 

O que o poder público poderia fazer pelo comércio e serviço do Juazeiro?

A primeira coisa que deve ser feita é a revisão da Lei Geral da micro e pequena empresa. Os municípios que fizeram e aplicaram essa revisão, dão prioridade nas licitações ao pequeno e médio empreendedor do próprio município. Resultado disso: onde é que o dinheiro fica? No município. Aqui, a gente nem participa de licitação. Na verdade, a gente nem sabe quem ganha. As cidades que aplicaram essa lei conseguiram desenvolver em até 15% a atividade comercial local. Nós já solicitamos que a Lei no Juazeiro fosse revista, com apoio do Sebrae, que vai indicar os pontos que devem ser alterados. E é um processo fácil de acontecer.

O IDM e o IDH são índices que levam em consideração o desenvolvimento econômico e social dos municípios e estão diretamente ligados às condições daquela cidade em investir em saúde, educação e infraestrutura. Não é o que acontece em Juazeiro do Norte, que arrecada milhões em impostos, mas investe quase nada em saúde pública e saneamento básico.

Para reverter isso, eu acho que é preciso ter uma aproximação da gestão do município e o comércio. Isso já está acontecendo [com o próximo prefeito, Arnon Bezerra]. E essa aproximação serve para se informar, saber o que é que o comércio precisa, quais são as ações que se pode desenvolver. Com isso, a gente vai ver mais assertividade na aplicação do recurso. É inadmissível um município do tamanho de Juazeiro ainda ter esgoto a céu aberto. Isso afasta as pessoas daqui. Enfim, há diversos pontos a serem debatidos e esse diálogo entre poder público e comércio, que até hoje não existiu, pode gerar uma assertividade.

O comércio de Juazeiro já fez sua parte no desenvolvimento da cidade?

Se não fosse o comércio, a gente estaria onde? Mas não só ele, não é? Há os serviços, como as universidades, e também o polo gastronômico. Logicamente, as indústrias também contribuem. A iniciativa privada, no geral, tem puxado o desenvolvimento. O turismo religioso também tem sua participação. Eu sou do ramo da informática e não lucro com a romaria, mas eu percebo que os outros negócios, depois das romarias, têm condições de investir em sua empresa. Eles compram um ar-condicionado, um novo mobiliário, um software… Então, o dinheiro circula.

E em 2016? O dinheiro continuou a circular?

Nós temos 800 empresas associadas à CDL em Juazeiro [cerca de 12% do total] e, em média, elas devem fechar 2016 com 3% de crescimento em relação ao ano passado. Ou seja, não giramos para o negativo, como foi o Brasil. Justamente por causa da localização geográfica, que atrai compradores de outras cidades e de outros Estados. Nós não perdemos esse volume. Deixamos de crescer mais, como aconteceu em 2011, em que o comércio de Juazeiro cresceu 18%. O crescimento vem reduzindo, mas enquanto não der negativo, isso é bom.

Quais as expectativas para o ano que vem?

A gente espera sair desse cenário de crise e que, como o novo governo em Juazeiro, a gente fique imune a ela. A gente tem que entender que as crises são constantes, essa não é a primeira e nem vai ser a última. A crise tira a gente da zona de conforto. Você usa a criatividade para ver de que forma você consegue crescer.

 

michel

Michel Oliveira

 

Juazeiro do Norte em números…

Comércio e serviço – 83%
Indústria – 16%
Agropecuária – 1%

PIB – 3,2bi

6.306 empresas ativas
47.966 empregos formais

Índice de Desenvolvimento Municipal – 35,4 (3º lugar no Cariri, 24º lugar do Ceará)
Índice de Desenvolvimento Humano – 0,69 (2º lugar no Cariri, 5º lugar no Ceará)

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