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Corpo, identidade e arte: exposição reúne 30 artistas em Crato

Os corpos masculino e feminino foram amplamente retratados ao longo da história das Artes, mas é principalmente na arte contemporânea que corpos passaram a ser visto pela lente das performances de gênero (e não apenas do sexo), os conflitos das identidades e das tramas sociais que os atravessam. Em encontro a este tema tão pertinente, estudantes da faculdade de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri montaram a exposição Organon: renegociações estratégicas de identidade, reunindo 30 dos mais afiados artistas e trabalhos, em exibição até o próximo 7 de junho, no campus Pimenta, em Crato.

Instalada no mais antigo e mais movimentado campus universitário do Crato, cidade marcada por movimentos contraculturais, a exposição experimental chama atenção pela criatividade e ousadia desde seu conceito, passando pela escolha consciente dos materiais, em sua maioria recicláveis (como vidro, madeira, papelão), e cores, confluindo no valor estético da maioria das obras, propulsoras de questionamentos e que, de quebra, primam pelo bom acabamento.

Não por acaso a curadoria ficou por conta de Anália Lobo, Rafael Vilarouca e Wandeallyson Landim, entre os mais experientes nos estudantes-artistas, que também já desenvolvem outros trabalhos no mesmo sentido. Sob atenta orientação, a professora Sara Nina determinou que “todos os valores são levados em conta” na hora da avaliação final da disciplina, de onde o experimento nasceu. Seu desejo era de valorizar a diversidade de técnicas e linguagens aprendidas na faculdade, desenvolvendo as habilidades individuais e coletivas, demonstrando isso através de uma exposição aberta ao público geral.

A exposição Organon no campus Pimenta da URCA, em Crato (Fotos do ambiente: Veronica Leite e Carlene Cavalcante)

Nisso, os estudantes-artistas cuidam de todo o processo, desde o projeto, técnica, montagem, curadoria, inclusão e acessibilidade, fotografia, assessoria e media social. Ao todo, foram três meses de preparação para a exposição que pretende culminar em mais perguntas que respostas. Quais corpos nos é mais apresentado? Deveria existir um padrão? De forma os corpos se compreendem? De que forma eles são partes constituintes das suas identidades?

Para Vilarouca, “as obras de arte contemporâneas não são respostas, mas perguntas. Elas servem para inquietar. Não dão respostas sobre o que é assim ou o que é assado. Mas colocam para pensar e, nesse momento, você degusta esteticamente e conceitualmente essa obra”, analisa. E, nessa construção de questões, como explica Sara Nina, nada ali é sobre o que o artista diz ou quer dizer. “O que está em jogo é a percepção de quem observa. É como ele constrói essas interpretações e como se relaciona com a obra que valerá”, finaliza.

Participam de Organon: Aline Lima, Álison Flor, Allan Bastos, Amilton Duarte, Anália Lobo, Andréa Noronha, Artur Alves, Charles Lessa, Dinho Lima, Edilsn Militão, Eliana Amorim, Emanoel Nascimento, Luna, Kakaw Alves, Gabriel Oliveira, Geraldo Júnior “G”, Ingrid Pereira, Isaías Almeida, Jaqueline Beckenbauer, Lucas Francelino, Lucas Villi, Marcela Sayonara, Márcio Ribeiro, Suyane Oliveira, Rafael Vilarouca, Rayla Brito, Rohh Ferr, Victor Lino, Wandeallyson Landim, Williana Maciel.

Fórmulas em apreciação/ 2016 / de Amilton Duarte. Pastel óleo sobre madeira
84,4cm x 46cm. Tradução intersemiótica do poema “O binómio de Newton”, do poeta Alvaro de Campos.

SERVIÇO

ORGANON – renegociações estratégicas de identidade

Em exibição até 7 de junho de 2017

Na Universidade Regional do Cariri (URCA)

Das 8h às 19h

Avenida Teodorico Teles, 645 – São Miguel, Crato – CE

Gorda / 2012 / de Suyane Oliveira / Matriz de xilogravura. 75cmx55cm.

Pulmão/ 2017 / de Anália Lobo / Cianotipia\ Fotografia\ Arte Digital. 120cm x 120cm. Série Bioformas

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