Cariri Sustentável

“Conhecer para conservar” é o lema do Biocangaço, iniciativa que divulga a fauna nordestina

A área de proteção ambiental da Chapada do Araripe abriga um significativo número de espécies da flora e fauna. Estima-se nos quase um milhão de hectares dessa área habitem mais de 480 espécies de animais vertebrados silvestres e mais de 500 espécies de árvores, flores e plantas. Por ser um tesouro em termos de biodiversidade, a Saiba mais

Por Alana Maria • 19 de maio de 2018

A área de proteção ambiental da Chapada do Araripe abriga um significativo número de espécies da flora e fauna. Estima-se nos quase um milhão de hectares dessa área habitem mais de 480 espécies de animais vertebrados silvestres e mais de 500 espécies de árvores, flores e plantas. Por ser um tesouro em termos de biodiversidade, a região atrai cientistas, pesquisadores e turistas do país inteiro.

Neste sentido, uma equipe formada por biólogos e estudantes de Biologia da região do Cariri vem realizando a curiosa missão de divulgar os bichos da caatinga, da Chapada e do Nordeste brasileiro a fim de promover a educação ambiental e a preservação da natureza. “Conhecer para conservar. Conservar para conhecer” é o lema dos criadores do Biocangaço, formado por Andreza Aquino, Charles de Sousa e Walison Santos, um grupo de apaixonados pela vida selvagem.

“Queremos educar e sensibilizar as pessoas em torno do bem-estar dos animais, mesmo para aqueles que não são tão simpáticos aos olhos assim, porque cada um têm um papel importante no ciclo da vida”, defende Charles Sousa, pesquisador e docente da Biologia na Universidade Regional do Cariri, e um dos fundadores do Biocangaço.

Para o grupo, ter algum conhecimento sobre a natureza do animal – se, por exemplo, é venenoso, agressivo, carnívoro ou herbívoro, frugívoro, dócil e outras informações do tipo – pode ser determinante no comportamento do homem.

 

NA NATUREZA POLUÍDA: “Conhecido popularmente como ‘mocó’, são pequenos mamíferos terrestres endêmicos da Caatinga. Esses animais possuem grande importância ecológica, principalmente por atuarem como dispersores de sementes. A caça de subsistência é um dos maiores problemas para a conservação da fauna da Caatinga. Os mocós se tornaram alvo muito visado pelos caçadores pelo sabor de sua carne”. Descrição do Biocangaço. (Foto: Charles Sousa).

 

BIOCANGAÇO

A iniciativa consiste em um site educativo com textos em termos acessíveis sobre a biodiversidade da fauna, entre vertebrados e invertebrados, e outros aspectos da natureza com imagens e vídeos produzidos pela equipe. São realizadas pesquisas e traduções de termos científicos para termos coloquiais sobre os bichos citados, além do uso de fontes bibliográficas e links externos de órgãos oficiais, como o ICMBio, a fim de instigar a curiosidade.

A maioria das publicações já realizadas foram com animais em abundância na região, explica o grupo, justamente pelas frequentes ocorrências de mortes de animais silvestres. Para o professor Charles “É muito mais fácil e aderente, à princípio, falar sobre um bicho que o público já conhece. Assim damos um passo de cada vez”. Tanto o site quanto as páginas de Facebook e Instagram do Biocangaço trazem curiosidades e informações atrativas sobre estes bichos.

Conheça o site clicando aqui.

 

Marsupial (Thylamys karimii), que se encontra na lista vermelha de espécies ameaças de extinção pela União Internacional para Conservação da Natureza. (Foto: Herivelto de Oliveira).

 

AMEAÇA E PRESERVAÇÃO

Um exemplo inesperado foi a ocorrência de uma espécie de caranguejo de água doce (kingleya attenboroughi), encontrada em 2016 no distrito de Araraja, em Barbalha, e também em Missão Velha, que já está ameaçada de extinção. Para além da ameaça progressiva de desaparecimento da espécie na região, ainda se teve conhecimento da prática de caça do caranguejo para consumo humano. Outras situações de caça para consumo bastante registradas envolvem espécies de tatus e lagartos.

Há desequilíbrio ecológico quando espécies são reduzidas no meio ambiente, a exemplo do aumento da população de insetos quando se reduz os anfíbios ou o aumento do número de anfíbios com a diminuição do número de serpentes – chamado desequilíbrio pela ausência.

Em visitas à escolas públicas de Crato, os biólogos do Biocangaço apresentam a a importância ecológica dos diferentes tipos de animais e lembram da responsabilidade de cada um para com a natureza, já que os maiores causadores de desequilíbrios naturais ainda são os seres humanos e o avanço de suas criações.

 

Pica-pau (Celeus ochraceus), espécie endêmica do Brasil com ocorrência no Cerrado, Caatinga e algumas áreas da Amazônia. (Foto: Andrei Arrais).

 

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

É crime previsto em Lei “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” com detenção e multa. Em caso de situação de risco com animais silvestres, acionar imediatamente a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros da sua cidade.

 

Cobra dos brejos (Atractus ronnie), espécie endêmica da Caatinga, encontrada na Chapada do Araripe. (Foto: Herivelto de Oliveira).

 

Onça-parda (Puma concolor), presente na Caatinga.

 

VEJA O VÍDEO:

 


ERRAMOS: às 19h de 21 de maio, a reportagem corrigiu informações no texto referente à espécie de caranguejo citada e sua ameaça de extinção. Originalmente a publicação informava incorretamente que o principal motivo para a condição de ameaça do caranguejo seria a caça para alimentação. A equipe do Biocangaço nos informou o erro e o texto foi alterado e corrigido.

Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE