Arte e Cultura

Com a palavra, os mestres

“Os Mestres da Cultura Tradicional Popular são os representantes da mais genuína tradução do povo cearense. Relicário da memória, dos modos de fazer, de viver, de conviver com a natureza e com os semelhantes. Tesouros vivos das nossas ancestralidades”, Dora Freitas e Sílvia Furtado nos declaram na apresentação do livro O legado dos mestres: cultura e Saiba mais

Por Redação Cariri • 7 de dezembro de 2017

“Os Mestres da Cultura Tradicional Popular são os representantes da mais genuína tradução do povo cearense. Relicário da memória, dos modos de fazer, de viver, de conviver com a natureza e com os semelhantes. Tesouros vivos das nossas ancestralidades”, Dora Freitas e Sílvia Furtado nos declaram na apresentação do livro O legado dos mestres: cultura e tradição popular no Ceará.

Dora, Silvia e Jarbas Oliveira viajaram 12 mil quilômetros, passaram por 36 cidades e conheceram 58 mestres da cultura do Ceará. Das andanças nasceu a referida obraque reúne perfis e fotografias dos personagens contemplados no edital Tesouros Vivos da Cultura, do Governo do Estado do Ceará. A equipe pôs o pé na estrada em março de 2015 e passou por diversas cidades do Cariri — de Aurora a Assaré, de Barbalha a Potengi. Conheceram 23 mestres caririenses, entre eles o Mestre Bigode, falecido em 12 de agosto de 2017.

 

Mestre Françuli (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

Ao todo, histórias de 79 mestres (entre os que ainda estão vivos e os que já faleceram) são relatadas no livro. Destes, 35 são caririenses. “Visitamos cada mestre em sua casa, conhecemos seus grupos e suas famílias”, conta Dora Freitas. “Os relatos que estão no livro são histórias que eles contam. Nós transcrevemos as entrevistas e organizamos os pensamentos.” Dora e Sílvia também complementam os discursos dos mestres com um relato de viagem por meio do qual elas contam como chegaram até eles, como foram recebidas e quais os momentos mais interessantes da conversa. Jarbas preparou fotografias dos mestres em suas oficinas, comunidades, grupos e fez retratos de cada um deles.

 

Mestre Pedro Aboiador (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

Esta é a primeira publicação a reunir todos os mestres — vivos e falecidos — contemplados pelo edital até agora (Mestres da cultura tradicional popular do Ceará, de Gilmar de Carvalho, fala dos mestres selecionados a partir de 2003, ano da criação da lei, até 2006, fim do mandato do governador Lúcio Alcântara).

 

Mestra Margarida (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Deixei o reisado pelo Guerreiro. Porque o guerreiro pra mim é melhor. Porque, na época, no meu tempo o reisado era uma coisa só de homem. E o guerreiro é de mulher. No Guerreiro, as peças, as músicas… é diferente. E a gente tem o direito de ser Guerreira!”. Mestra Margarida

 

Mestre Aldenir (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

 

“Ser mestre de reisado pra mim é uma coisa muito importante, porque não é nem todo mundo que tem o nome de Mestre. O pessoal diz: Mestre Aldenir! Isso pra mim é um orgulho que eu tenho.” Mestre Aldenir

 

Mestre Bigode (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Pra mim, ser mestre é… o sujeito, mesmo que não saiba ler, tenha educação e sensibilidade de tudo quanto ele arranjar pra ele colocar naquele trabalho e o povo gostar. Eu tenho muito prazer porque eu posso dizer que eu sou Mestre, feito pela natureza.” Mestre Bigode

 

 

Mestra Maria do Horto (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Quando eu canto os benditos, fico com muita alegria, muita satisfação. Se pudesse, vivia cantando.” Maria do Horto

 

Mestre Raimundo Aniceto (Fotos: Jarbas Oliveira)

“A gente já vai andando o Brasil todo com essa bandinha que meu pai deixou dentro do Crato. Aí a gente fica quase orgulhoso de tanta coisa boa que a gente já tem passado. Muito show bonito que nós já fizemos dentro do nosso Cariri e afora do Brasil nós fizemos também, e isso é um prazer.” Raimundo Aniceto

 

 

CATEGORIA:

Redação Cariri