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Com a palavra, os mestres

“Os Mestres da Cultura Tradicional Popular são os representantes da mais genuína tradução do povo cearense. Relicário da memória, dos modos de fazer, de viver, de conviver com a natureza e com os semelhantes. Tesouros vivos das nossas ancestralidades”, Dora Freitas e Sílvia Furtado nos declaram na apresentação do livro O legado dos mestres: cultura e tradição popular no Ceará.

Dora, Silvia e Jarbas Oliveira viajaram 12 mil quilômetros, passaram por 36 cidades e conheceram 58 mestres da cultura do Ceará. Das andanças nasceu a referida obraque reúne perfis e fotografias dos personagens contemplados no edital Tesouros Vivos da Cultura, do Governo do Estado do Ceará. A equipe pôs o pé na estrada em março de 2015 e passou por diversas cidades do Cariri — de Aurora a Assaré, de Barbalha a Potengi. Conheceram 23 mestres caririenses, entre eles o Mestre Bigode, falecido em 12 de agosto de 2017.

 

Mestre Françuli (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

Ao todo, histórias de 79 mestres (entre os que ainda estão vivos e os que já faleceram) são relatadas no livro. Destes, 35 são caririenses. “Visitamos cada mestre em sua casa, conhecemos seus grupos e suas famílias”, conta Dora Freitas. “Os relatos que estão no livro são histórias que eles contam. Nós transcrevemos as entrevistas e organizamos os pensamentos.” Dora e Sílvia também complementam os discursos dos mestres com um relato de viagem por meio do qual elas contam como chegaram até eles, como foram recebidas e quais os momentos mais interessantes da conversa. Jarbas preparou fotografias dos mestres em suas oficinas, comunidades, grupos e fez retratos de cada um deles.

 

Mestre Pedro Aboiador (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

Esta é a primeira publicação a reunir todos os mestres — vivos e falecidos — contemplados pelo edital até agora (Mestres da cultura tradicional popular do Ceará, de Gilmar de Carvalho, fala dos mestres selecionados a partir de 2003, ano da criação da lei, até 2006, fim do mandato do governador Lúcio Alcântara).

 

Mestra Margarida (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Deixei o reisado pelo Guerreiro. Porque o guerreiro pra mim é melhor. Porque, na época, no meu tempo o reisado era uma coisa só de homem. E o guerreiro é de mulher. No Guerreiro, as peças, as músicas… é diferente. E a gente tem o direito de ser Guerreira!”. Mestra Margarida

 

Mestre Aldenir (Fotos: Jarbas Oliveira)

 

 

“Ser mestre de reisado pra mim é uma coisa muito importante, porque não é nem todo mundo que tem o nome de Mestre. O pessoal diz: Mestre Aldenir! Isso pra mim é um orgulho que eu tenho.” Mestre Aldenir

 

Mestre Bigode (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Pra mim, ser mestre é… o sujeito, mesmo que não saiba ler, tenha educação e sensibilidade de tudo quanto ele arranjar pra ele colocar naquele trabalho e o povo gostar. Eu tenho muito prazer porque eu posso dizer que eu sou Mestre, feito pela natureza.” Mestre Bigode

 

 

Mestra Maria do Horto (Fotos: Jarbas Oliveira)

“Quando eu canto os benditos, fico com muita alegria, muita satisfação. Se pudesse, vivia cantando.” Maria do Horto

 

Mestre Raimundo Aniceto (Fotos: Jarbas Oliveira)

“A gente já vai andando o Brasil todo com essa bandinha que meu pai deixou dentro do Crato. Aí a gente fica quase orgulhoso de tanta coisa boa que a gente já tem passado. Muito show bonito que nós já fizemos dentro do nosso Cariri e afora do Brasil nós fizemos também, e isso é um prazer.” Raimundo Aniceto

 

 

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