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Casos de dengue diminuem em Juazeiro do Norte

Bairro João Cabral, entretanto, ainda mantém índice de infestação seis vezes acima do habitual

Entre janeiro e março deste ano, 30 casos de dengue foram notificados em Juazeiro do Norte. Destes, 15 foram descartados, 14 estão em análise e um foi confirmado. O Núcleo de Combate a Endemias da Prefeitura Municipal comemora. Para um período de chuvas no Estado do Ceará, o esperado é que seja grande a quantidade de focos de proliferação do Aedes aegypti e de pessoas acometidas pelas doenças transmitidas pelo mosquito. A cidade consegue controlar ambas as estatísticas. Entretanto, o índice de infestação predial, taxa criada pelo Ministério da Saúde para verificar o número de focos de dengue por imóvel, ainda está um pouco acima da média no município.

O esperado é que cada cidade consiga manter o padrão de 1% no índice de infestação predial – isto é, cada município deve tentar erradicar a proliferação de larvas do mosquito da dengue até que, pelo menos, apenas 1% das casas apresente focos. Este é o mínimo que a cidade deve fazer. Em Juazeiro do Norte, até a terça-feira (11), o índice ultrapassava a meta e marcava 1,27%. Mesmo beirando o número ideal, o número é positivo já que o Ceará passa pela quadra invernosa, período em que o mosquito encontra mais possibilidades de se reproduzir e, consequentemente, mais casos de dengue, zika e chikungunya aparecem.

No Ceará

Desde que o primeiro caso de dengue foi identificado no Ceará, em 1984, o Estado já enfrentou sete graves epidemias, sendo as três últimas nos anos de 2011, 2012 e 2015. Entre 2016 e 2017, as infecções tornaram-se menos comuns. No primeiro trimestre de 2016, em Juazeiro do Norte, foram confirmados 24 casos de dengue. No mesmo período, em 2017, apenas um caso foi confirmado. Ao todo, há 30 notificações na cidade no primeiro trimestre, sem confirmação.

Em todo o Ceará, os números de infectados por dengue, chikungunya e zika caíram pela metade. Enquanto, no primeiro trimestre de 2016, 8.667 cearenses contraíram chikungunya, neste ano apenas 1.867 adoeceram no mesmo período. 8.639 foram infectados pelo vírus da zika entre janeiro e março de 2016 e, em 2017, o número caiu para 2.354.

Nos bairros do Juazeiro

Mascleide Feitosa, coordenadora do Núcleo de Combate a Endemias explica que, no que se refere ao combate ao mosquito da dengue, nem tudo depende unicamente do município. Algumas ações são de responsabilidade do Estado ou do Governo Federal, e, nesses casos, só as autoridades dessas duas esferas podem atuar. “Existem coisas que são total responsabilidade do município. O carro fumacê, por exemplo. Pela diretriz federal, a autorização para que o carro passe pelos bairros é da alçada do estado. Para que nós possamos solicita-lo, é preciso que o município se enquadre em algumas definições, como ter óbito, estar em epidemia, ter um surto de infestação”, Mascleide esclarece.

Da mesma forma, há ações que independem tanto do Núcleo de Combate a Endemias, quanto do poder público. “A população precisa evitar que o mosquito venha a nascer”, Mascleide fala. “Se conseguirmos fazer isso, aí, sim, estaremos combatendo o mosquito da dengue”.

Para intensificar as ações nos bairros, o Núcleo tem feito o Dia D de Combate ao Mosquito da Dengue, quando todos os agentes do Núcleo de Endemias visitam os imóveis ainda não verificados e os que estão na lista de reincidentes, isto é, casas que recorrentemente apresentam focos do mosquito. O dia conta também com passeata pelas principais ruas do bairro, chamando a atenção dos moradores. Cada ciclo de visitas do Núcleo em um bairro dura 45 dias. Isto é, cada casa é visitada a cada 45 dias. “Você não imagina a quantidade de mosquitos que podem nascer em 45 dias. Os residentes precisam ter cuidado diário, tirar 10 minutos a cada semana para verificar sua casa. Olhar da porta da rua ao final do quintal”, Mascleide instrui.

O indice de infestação predial no João Cabral já chegou a 6.30%. O Núcleo de Combate a Endemias então deu atenção ao bairro, para diminuir os casos. Hoje o índice está em 4,65%. Ainda na zona urbana de Juazeiro, o Pirajá apresenta 3,47% dos imóveis com focos de dengue e, o São Miguel, 2,74%. Na zona rural, o distrito com maior número é o São Gonçalo, com 2,35%, e o menor é o Gavião, com 0,98%. Em toda a cidade, o bairro que mais combate a dengue é o Antônio Vieira, que tem 0,30% de índice de infestação.

“Cada morador deve pensar: ‘eu tenho responsabilidade sobre a vida de muitas pessoas, da minha família e de meus vizinhos. É preciso cada pessoa se conscientizar e fazer sua parte”, a coordenadora aconselha. Mascleide ressalta a importância de procurar o serviço de saúde, emergência ou PSF, sempre que houver suspeita de dengue. Através de cada notificação registrada, a cidade pode ter acesso a novas intervenções do Estado ou do Governo Federal. Ela também alerta que é preciso borrifar com veneno o perímetro onde mora uma pessoa acometida com dengue.

No Cariri

Em toda a região, 1.110 casos de dengue foram notificados no primeiro trimestre de 2017. Destes, 55 foram confirmados até o começo de abril.

Brejo Santo – 605 casos notificados, 16 confirmados

Campos Sales – 46 casos notificados, 6 confirmados

Crato – 75 casos notificados, 3 confirmados

Farias Brito – 219 casos notificados, 24 confirmados

 

Chikungunya – 253 casos notificados, 1 caso confirmado

Zika – 24 casos notificados, 16 casos confirmados

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