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Um cortejo pela liberdade de fé

Aconteceu na tarde da última sexta-feira, 19, mais uma edição da Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, em Juazeiro do Norte. Mais de 500 pessoas de fé da Umbanda, Candomblé e Jurema, religiões de matriz africana, desceram a Rua São Pedro em cortejo de celebração, orgulho e resistência de suas religiões. É a Saiba mais

Por Alana Maria • 22 de janeiro de 2018

Aconteceu na tarde da última sexta-feira, 19, mais uma edição da Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, em Juazeiro do Norte. Mais de 500 pessoas de fé da Umbanda, Candomblé e Jurema, religiões de matriz africana, desceram a Rua São Pedro em cortejo de celebração, orgulho e resistência de suas religiões. É a nona vez que a Caminhada acontece no município, levantando a bandeira em defesa do Estado laico, da liberdade religiosa e pela segurança dos templos e respeito às culturas e tradições de matriz africana.

Nesta edição, mais de 15 terreiros participaram, entre líderes espirituais, adeptos iniciantes e simpatizantes que, com música e dança, coloriram o cortejo de negro, branco e flores, chamando a atenção dos lojistas, clientes e pedestres do centro da principal cidade da Região Metropolitana do Cariri para a violência contra religiões de matriz africana.

Líder religiosa e organizadora da Caminhada, Herlania Batista Galdino acredita na força da organização e mobilização coletiva das casas de santo na luta pelo direito de exercer sua fé. “Quando colocamos todo o nosso povo na rua, em caminhada, dando a cara a tapa, estamos nos afirmando enquanto pessoas de direito que resistem a toda essa violência e demonização para com nossa religião e cultura”, afirma a Doné. “A verdade é que estamos resistindo e cobrando o que é nosso por direito: paz”.

 

Doné Herlania na Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Alana Maria)

 

De acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, o livre direito ao exercício da crença e dos cultos religiosos é uma liberdade “inviolável”. “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”, declara a Constituição.

Pela Lei 9.459/1997, discriminação ou injúria religiosa é crime: “Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional; Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Em 2018, completam-se 11 anos da Lei nº 11.635, que institui o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, geralmente celebrado em 21 de janeiro, data que relembra a morte da ialorixá Gildásia dos Santos, em 2000, na Bahia, vítima de intolerância. Neste dia, pelo Brasil inteiro, grupos organizados e casas de terreiro fazem atos, caminhadas e marchas em defesa da liberdade religiosa.

 

PELO FIM DO MEDO

Não restam dúvidas sobre o local ao chegar na casa de Candomblé de Doné Herlania. Em letras garrafais, a palavra “Candomblé” sinaliza o templo religioso no coração do bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte. Mas, segundo conta Herlania, nem sempre foi assim. A afirmação clara e orgulhosa é fruto de um processo libertário e atual, onde o medo dá lugar ao empoderamento das pessoas de terreiro. “E acredito que a Caminhada tenha sua contribuição nesse resultado, pois é parte do processo de afirmação, de ter orgulho de sua cultura e fé e orgulho não existe com o medo”, explica.

 

BRASIL ADENTRO

Entre os anos de 2011 e 2015, foram registradas 697 denúncias de intolerância religiosa no Brasil, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos. A análise feita pela Secretaria é de que poucas pessoas ainda recorrem ao Disque Denúncia, que foi instalado apenas em 2011.

No entanto, o índice cresce. Em 2011 foram 15 denúncias. Já em 2012, o número salta drasticamente para 109. De 2014 (149 denúncias) para 2015, houve um aumento de 69,13%, quando foram registradas 252 denúncias. Em 2016, mais de 300 denúncias foram apuradas pelo Disque 100.

Mais da metade das denúncias são feitas por adeptos a religiões de matriz africana. Ainda de acordo com o relatório, 35,39% das vítimas eram negros.

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

MAPEAMENTO DOS TERREIROS

Membro do Núcleo de Educação e de Promoção da Igualdade Racial, organização da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (Sedest) de Juazeiro do Norte, Doné Herlania garante a execução de um levantamento sobre as religiões de matriz africana na cidade. A princípio, o mapeamento responderia as seguintes questões: quais religiões de matriz africana existem em Juazeiro do Norte? Quantos terreiros existem? E quantos adeptos frequentam essas casas?

 

DENUNCIE

Denúncias de violações contra religiões de matriz africana, comunidades quilombolas, de terreiros e ciganas podem ser feitas pelo Disque 100, serviço do governo federal para receber denúncias de violações de direitos humanos. O Disque 100, juntamente com a Ouvidoria da Igualdade Racial, são instrumentos oferecidos pelo governo federal no combate ao racismo.

 

VEJA IMAGENS DA 9ª CAMINHADA

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Hélio Filho)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Hélio Filho)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Hélio Filho)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Foto: Alana Maria)

 

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri (2018)

Caminhada Em Defesa da Liberdade Religiosa do Cariri, 2018. (Fotos: Alana Maria)

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Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE