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Prata da casa: Artistas visuais do Cariri

Confira uma lista de artistas da nossa região em quem você deve ficar de olho

Luiz Fernando

Luiz Fernando tem um traço tão híbrido que seus desenhos parecem ter sido feitos por artistas diferentes. “Às vezes o trabalho quer ser mais coisas”, ele explica, “não posso dizer ‘só faço pintura’, porque aí eu perco a chance de deixar o trabalho se expandir”. Sem se limitar, Luiz experimenta. Por isso, sua arte transita entre diferentes artes. Um exemplo disso é o personagem Francisco, o “Doido de Pedra”, que já foi cordel e HQ. Selecionado pela publicação recifense Marca de Fantasia, o Doido de Pedra desbancou trabalhos de artistas de todo o Brasil e ganhou espaço em uma edição da revista.

Vindo também da Urca, foi na universidade que Luiz deu início à série Reconstrução da Memória, onde ele criou montagens com fotos da infância e desenhos que ele criou a partir de suas lembranças. “Digamos que é uma autobiografia que está inserida nas artes visuais como poética. Construí uma narrativa com o que restou dessas lembranças”. O resultado acabou indo parar na monografia de Luiz e será publicada em breve na edição impressa da CARIRI Revista.

Em meio a tanto trânsito, Luiz interage com a estética mágica. Quase sempre, é ele mesmo no papel. “Em meus quadrinhos eu tento ser o protagonista, por isso eu me retrato. Às vezes até me retrato enquanto o que eu não sou. Mesmo os que não são, sou eu: são o que eu seria ou gostaria de ser”. Obras de Luiz Fernando já estiveram em exposição em Juazeiro do Norte e em São Paulo.

 

Henrique Moonstar

Os seus quadrinhos são bastante politizados. Você acha que há espaço na arte para falar de política?

Henrique Moonstar. Acho que há. Porém, eu ouvi de um editor da Turma da Mônica, que viu meu trabalho, que eu não me envolvesse tanto. Nós nos conhecemos na Comic Con, onde eu entreguei a ele alguns dos meus trabalhos. Ele leu e entrou em contato comigo. Ele falou que eu usasse isso, mas pra instigar as pessoas e não pra causar polêmica.

Como não se envolver?

Talvez seja óbvio dizer só “Fora Temer”. É preciso ser mais sutil.

Como nasceu o coletivo Estação 9?

Nós percebemos que havia aqui muitos artistas que produziam HQs e resolvemos criar um coletivo para discutir e criar quadrinhos. Começou como algo bem pequeno, que aos poucos foi crescendo, na medida em que novos artistas foram entrando. Lançamos uma edição na Comic Con e, em seguida, trouxemos aqui para o Sesc.

O que é o Peixe com Desejo Secreto?

É sobre traumas e medos. Escrevi essa história porque uma vez eu quase me afoguei fazendo natação. Resolvi fazer um personagem que vivesse dentro do mar. Não consigo mais nadar.

Andrea Sobreira

Andrea Sobreira se formou em Artes Visuais no final de 2016 e, neste ano, volta ao Centro de Artes, dessa vez para ensinar. Ela foi aprovada no concurso para professora temporária da Urca. Nascida em São Paulo, mudou-se para o Cariri quando era criança, mesma época em que descobriu o desenho e a pintura. “Depois que entrei na Urca, vi que as artes visuais é uma área muito ampla”, ela conta. Para seu trabalho de conclusão de curso, Andrea fez experimentações de desenho em madeira e tecido. Interessada nos significados da umburana, árvore usada pelos xilógrafos da Lira Nordestina, ela fez desenhos em pirografia (técnica em que se usa fogo para desenhar) na madeira. Esse trabalho e um bordado de Andrea estiveram em exposição no Salão de Vinhedo, em São Paulo.

Andrea Sobreira faz parte do Estação 9, coletivo de artistas do Cariri que estudam e produzem quadrinhos, e possui interesse na abordagem de arte e política, atualmente com pesquisa e experimentações voltadas à problematização da mulher como ser atuante no meio social. Sua primeira exposição aconteceu em 2014, no CCBNB Juazeiro do Norte.

 

Charles Lessa

Carta Para Amante estreou em junho, mês da diversidade. Com curadoria do professor Fábio Rodrigues, do curso de Artes Visuais, a exposição de Charles Lessa conta com trabalhos que o artista produziu entre 2014 e 2015. “A exposição fala da afetividade, de um artista homossexual com seus ‘amantes’”, Charles conta. “Desenho desde criança, então sempre tive contato com várias técnicas. Depois que entrei na universidade isso se tornou mais favorável porque eu tive mais contato com outros tipos de material. Sempre fui muito preso ao grafite e explorava pouquíssimo a cor, então fui perdendo esse medo. Foi um processo”. Depois de experimentar diversas técnicas, Charles usou lápis de cor, carvão, aquarela, nanquim, grafite e, mais recentemente, tem se dedicado a fazer esculturas. “Carta Para Amante não é uma despedida, mas é meio pra fechar o que eu produzi ao longo desses anos”, diz.

Charles Lessa expôs pela primeira vez em Juazeiro, Juazeiros, exposição coletiva em 2016. Apesar de Carta Para Amante ser a sua primeira exposição individual, ele gosta de dizer que ela é “individual-plural”: “há várias pessoas aqui, tanto nas imagens quanto na colaboração”.

 

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