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Brincando de contar histórias

Por Pollianna Jamacaru

Quem nunca brincou de ser um espião, um super herói, um pirata ou uma princesa na infância? Soltar a imaginação, criar uma história e se fantasiar de vários personagens é um hábito que vai se perdendo com o tempo, mas, para os jogadores de RPG, a idade não os impede de brincar de inventar as suas próprias aventuras.

O Role-Playing Game quer dizer “Jogo de Interpretação de Papéis” ou “Jogo de Interpretação de Personagens”. Para jogar, basta ter um livro de RPG em mãos, juntar alguns amigos bons de imaginação, construir uma história e nomear um dos participantes como “mestre” ou “narrador” para conduzir a trama. Por fim, escolhe-se qual avatar incorporar na narrativa e interpretá-lo interagindo com os outros personagens da trama, fazendo do espaço ao redor o cenário. Pode ser jogado da maneira tradicional, em volta de uma mesa, ou ar livre, como é o caso do live action.

No Cariri, o RPG teve início em Juazeiro do Norte na década de 80, com as xerox dos livros trazidos de congressos educacionais no Rio de Janeiro e São Paulo, pelo professor juazeirense Valberto Filho. Rpgista desde a infância, Jeferson Antunes (31) conta como o hobbie, além de o divertir, ajudava-o com a leitura e o aprendizado da língua inglesa: “o RPG representa boa parte da minha vida. Sempre foi um hobbie salutar e me ajudou com problemas na leitura, ampliando também a minha cultura em relação à língua inglesa, pois foi preciso estudá-la para poder jogar usando os primeiros livros não traduzidos”, diz ele.

Foto 1 Foto de Capa (por Jeferson Antunes)

Jeferson Antunes e seu grupo durante um jogo

Em Crato, Juazeiro e Barbalha existem atualmente cerca de 30 grupos fixos, que são compostos por 4 a 8 pessoas, somando em média uns 150 participantes. Os grupos costumam se reunir na casa dos jogadores, nas praças públicas, em bibliotecas ou em eventos específicos do RPG, que, além de possibilitarem o jogo entre os participantes, realizam debates sobre a cena rpgista e promovem a aproximação entre os jogadores.

Além de ser um jogo que trabalha imaginação, criatividade, expressão corporal e improviso, o RPG está sendo apontado como uma importante ferramenta lúdica de educação. Em 2013, foi realizada uma pesquisa com 381 jogadores em Fortaleza para avaliar qual era a porcentagem de leitura entre eles e constatou-se que era 12,5%, mais alta que a média brasileira de 4,1% de leitura entre os não jogadores, mostrando assim a influência do jogo no fomento à leitura.

Ainda sobre o RPG na educação, Jeferson afirma: “diante do cenário atual da educação no Brasil, onde o padrão de ensino não dá mais conta de trabalhar a questão da convivência entre alunos e professores, o jogo vem a fomentar, além da leitura, o estímulo à cultura de paz nas relações com o outro, pois envolve a participação igualitária e trabalha com a convivência”.

Fotos: Acervo pessoal Jeferson Antunes
SAIBA MAIS

Um bom exemplo do uso do jogo na educação vem do professor de física Fernando Bruno, da escola de experimentação da UFPE que, na tentativa de atrair a atenção dos alunos para a matéria, resolveu criar uma história de RPG em que os personagens têm de solucionar as questões levantadas durante a trama com elementos da física. Usou-se para isso uma linguagem fácil e interativa para que os alunos foquem nos temas trabalhados.

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