Arte e Cultura

A volta das Salas de Cinema ao Crato

Tapumes de aço cercam parte do Largo da RFFSA e chamam a atenção dos passantes pela Rua Ratisbona, em Crato. Dentro do cercado, operários trabalham na construção de duas salas públicas de cinema que deverão atender 3.000 pessoas por mês quando prontas. As salas fazem parte do programa Cinema perto de você, da Agência Nacional Saiba mais

Por Alana Maria • 7 de fevereiro de 2018

Tapumes de aço cercam parte do Largo da RFFSA e chamam a atenção dos passantes pela Rua Ratisbona, em Crato. Dentro do cercado, operários trabalham na construção de duas salas públicas de cinema que deverão atender 3.000 pessoas por mês quando prontas. As salas fazem parte do programa Cinema perto de você, da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Ministério da Cultura (Projeto de Lei Nº 12.599/2012) em convênios com estados e municípios.

A expectativa é que o cinema público do Crato tenha exibição semanal de filmes do catálogo da Ancine, recheados de produções nacionais, assim como filmografia regional, nas sextas, sábados e domingos a preço popular. As salas, com 210 e 105 lugares, também poderão ser utilizadas para outros fins culturais quando não estiverem em projeção.

A cidade do Crato perdeu seu cinema mais famoso com o fechamento do Cine Cassino Sul Americano em 1992. Décadas após o fato, salas alternativas surgiram por iniciativa de amantes da sétima arte, mas com público reduzido aos apreciadores dos institutos culturais.

 

A obras foram iniciadas em dezembro de 2017 e devem ser entregues em novembro desse ano (Fotos: Alana Maria)

 

MAIS CULTURA

Para o secretário de Cultura Wilton Dedê, a contemplação do Crato no programa é uma vitória para a população e para a cultura como um todo. “O cinema será público a preço popular, ou seja, a população de baixa renda terá mais essa oportunidade de contato com o cinema, que sabemos bem hoje ser elitizado e centralizado nos grandes e caros cinemas de shopping centers”, defende.

Outra defesa de Dedê é maior investimento e incentivo estatal na produção de cinema local. “A qualidade do cinema caririense é, por vezes, maior do que na capital, mas não recebemos os recursos necessários ou os equipamentos que eles detêm”, afirma, citando o Porto de Iracema, Cucas e Vila das Artes. “É preciso que o Governo olhe melhor para a cultura que se faz no interior”.

Enquanto esperava a abertura do restaurante popular, a auxiliar de caixa Aparecida Duarte observava o andamento da obra do cinema. Para ela, que gosta de ver filmes na televisão em casa aos fins de semana, a chegada do equipamento será de grande benefício. “Vai ser bom para a gente que não tem R$ 30 para dar em ingresso nos cinemas de Juazeiro, né? Vamos poder ver filme bom aqui, sem gastar muito”, diz ansiosa.

Um dos critérios para a execução da obra do Cinema Padrão é sua proximidade do centro da cidade, além de fácil acesso ao transporte coletivo público.

 

Para o secretário de Cultura do município, Wilton Dedê, as salas serão passo a mais rumo à valorização e acesso à cultura (Fotos: Alana Maria)

 

OBRA

A obra contempla uma área de 5659,70m², próximo ao restaurante popular no Largo da RFFSA, onde a primeira sala ficará no térreo, tendo capacidade para 210 acentos, e a segunda sala ficará no piso superior, com 105 lugares. O cinema público terá, além das salas de exibição, bilheteria, lanchonete e banheiros.

Segundo previsão da construtora, a obra deve ser concluída em novembro deste ano, caso o cronograma não tenha atraso. Em dezembro, ou no mais tardar em janeiro, o cinema começa a exibir filmes, promete a Secretaria de Cultura do município.

Até lá, a obra do equipamento movimenta debates sobre a revitalização do Largo da RFFSA, que também abriga o Centro Cultural do Araripe, com uma galeria, auditório e anfiteatro, além do restaurante popular e do telecentro comunitário. Segundo informa o secretário, a pauta está em discussão no executivo cratense.

 

(Fotos: Alana Maria)

 

CINEMA NA CIDADE

No Ceará, pelo menos 10 cidades receberão o programa federal, que se une ao projeto Cinema na Cidade, do Governo do Estado do Ceará, assim orçado em mais de R$ 33 milhões. Entre os critérios exigidos para o município receber o programa está a ausência de cinema comercial na cidade, que deve ter até 100 mil habitantes. O objetivo é ampliar, diversificar e descentralizar as exibições cinematográficas no Brasil.

Além de Crato, os municípios de Amontada, Aquiraz, Canindé, Cedro, Crateús, Iguatu, Itaitinga, São Benedito e Tauá também foram contempladas com a parceria da Ancine com o Governo do Estado do Ceará, que coordena o programa no estado.

Projeção de como as salas de cinema serão. O projeto é padrão em todo o país.

 

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Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE