Perfil

A trajetória de João Hilário

Das salas de aula aos alto falantes de Barbalha, ele seguiu a trajetória do rádio e se tornou um locutor de voz inconfundível e com estilo único na região.
Por Redação Cariri • 23 de fevereiro de 2018

Por Elizângela Santos

A conversa de sala é capaz de adentrar a noite com o enredo de uma história que começou antes mesmo do personagem principal nascer. Veio primeiro João. O Hilário foi decidido a partir da data de 14 de janeiro, como forma de homenageá-lo com o nome de santo. E isso ocorreu duplamente. E então, Tia Nana trouxe num tom comemorativo o rebento. Dona Ana Garcia Correia chamou o povo para dizer que “Seu João Nasceu, meu bem!”. Era João Hilário, um comunicador nato, que desde os 12 anos construiu no Cariri uma carreira sólida. Ele traz consigo o diferencial do estilo único de comunicar. A voz do rádio que se tornou referência para a maioria dos locutores da região.

Estudos, futebol, comunicação… O menino que nasceu entre quatro irmãs, desde cedo tinha inclinações para o pluralismo no falar. Ele seguiu ao pé da letra o que traduz hoje como atividade principal do ser humano, de ser comunicador nato. João fala por todos os lados. Capta a mensagem, emite com sua voz pausada, em tom elegantemente natural e pouco comum, com uma dicção de despertar a atenção do seu interlocutor.

Estudioso dos idiomas, admirador dos Beatles, desde os seis anos de idade foi beber do inglês na fonte, mesmo sem se deslocar até Liverpool, na Inglaterra. Pois é, deixou de ir ao Reino Unido até bem pouco tempo, presente que deveria ser irrecusável. Muitos ingleses também poderiam admirar esse senhor que conhece tão bem dos meninos que se tornaram referência musical para o mundo.

O tom professoral não escapa para quem chegou a lecionar na Universidade até 11 disciplinas. A escolha do curso de Letras não seria algo improvável para um predestinado ao dom de comunicar, que buscou conhecer outros idiomas. Foi para o italiano, espanhol, e hoje, aos 61 anos, arrisca na possibilidade de ir trilhando no alemão. Isso sem ter arredado o pé do Cariri. É daqui mesmo que ele emite, e quem quiser ouvir, que seja pleno no escutar de sua fala eminentemente explicativa. Ele encara a comunicação como elemento importante no processo de sobrevivência e ampliação da qualidade de vida.

 

(Arquivo Pessoal)

 

Hoje, professor aposentado, outras atividades o perseguem, para espanto de quem não conhece João mais de perto. É um estudioso de veterinária, melhoramento genético, criador de gado leiteiro e até palestrante e consultor sobre o tema. Como expositor, desde 1987, já obteve seis premiações de melhor criador de gado holandês e girolando.

O conhecimento na linguagem técnica e no inglês já o levou a ser tradutor para criadores dos Estados Unidos e Canadá em eventos que acontecem pelo Brasil e até foi convidado para participar, como tradutor, nos Estados Unidos, a pedido de uma equipe brasileira de criadores. O convite foi recusado. Motivo: era prefeito. Não devia fazer aquilo para não dar o que falar em relação à sua conduta. Queria apenas o melhor para seu município.

Aos 29 anos, por motivos que terminaram se resolvendo no clamor de uma realidade que atravessava a Barbalha querida, ele foi levado a se candidatar e ganhou a eleição para prefeito de sua cidade em 1982. Era João, o prefeito, que tomava às rédeas de um mandato. O primeiro, ainda! Na farmácia da cidade, as conversas convergiam para o assunto da sua candidatura, mesmo em casa o pai não sendo tão favorável. Seu William Correia, pouco pelo seu nome de nascimento, Francisco Coelho Correia, queria mesmo ver o filho médico, mas João procurava seguir a área de humanas, e já era um locutor conhecido na cidade. Ainda arriscou uns semestres no curso de Direito, mas não estava lá o seu destino de defensor, como um bom advogado que certamente seria.  A comunicação fez ele também exercer o seu lado mais solidário, e reconhecer no rádio um dos veículos mais importantes quando se trata de interlocução com todas as classes, idades, nos diferentes lugares. A audição é senhora de um veículo que tem muito a ser explorado e que não se inibe com os avanços, segundo João Hilário.

Os exercícios iniciais na comunicação, do menino que sempre teve uma tendência aos estudos de forma ampla, mas que também gostava do futebol de botão, sendo destaque na cidade quando se tratava do assunto, estiveram ligados ao velho sistema de alto falantes. O pai tinha um serviço em Barbalha e ele o acompanhava, também exercendo outro prazer da vida, com a música.

 

Como bom comunicador, exerce com naturalidade o cativar. Desde menino nas ruas de Barbalha, saia passeando pela cidade nos braços dos chapeados, os carregadores que adoravam sorrir com o menino astuto.  As irmãs não se furtam de falar, nem um pouquinho, quando o assunto é João. Não havia ciúmes por ele ser o centro das atenções em casa. Era algo até natural mesmo.

O garoto de janeiro, do dia de Santo Hilário, era espontâneo, dinâmico e sempre gostou mesmo foi de aprender. Como apresentador de TV, não se sente tão em casa como no estúdio radiofônico. Já passou por algumas emissoras, como a Tempo FM, onde conseguiu reunir grandes profissionais, para atuar no radiojornalismo de forma mais ampla. Na FM Padre Cícero, tem um espaço de duas horas para desenvolver um programa diário com assuntos diversos, como ele mesmo fala.

Um líder que sempre chamou para si as atenções. As irmãs de seu João são unânimes em dizer do talentoso irmão, que também exerce um papel de conselheiro na família. Nos intervalos da escola, na sua meninice, ele fazia campanhas contra o fumo. E nunca fumou. A música sempre foi o seu forte mesmo, desde a juventude. Acompanhava o grupo Os Águias, de sua cidade, banda prestes a completar 50 anos de atividades. Conseguiu convencer até mesmo Roberto Carlos, para que os músicos se apresentassem no primeiro show do Rei em terras caririenses, na década de 70.

O som do rádio sempre foi encantador aos ouvidos de seu William. Em casa, ele colocava em alto volume e dormia. O filho lembra dessas audições, que segue sem pestanejar. Conhece praticamente todos os programas de rádio da região. Sempre quando pode, manda um bilhetinho para o colega com dicas do que aprendeu e experimentou, ou até mesmo numa conversa. Sempre tem disposição de aprender e ensinar.

Desde o trabalho no alto falante São José, onde começou as suas primeiras atividades, João Hilário já fazia sucesso, mesmo não sendo remunerado. As irmãs lembram da voz semelhante a do pai. O timbre amigo que o comunicador teve até 2011, quando calou-se a voz paterna. Foram poucos meses entre as perdas do pai e da mãe, Tia Nana, como fora carinhosamente adotada por Barbalha. A rica relação familiar, de um casamento dos pais que se amaram até o final de um relacionamento de 59 anos, foi a grande fonte de inspiração do locutor. O lado mais emotivo passou a se destacar com as perdas. Vez por outra aos prantos de saudade era visto pelas irmãs. Mas, o legado continua sendo exercido pelo filho de seu William.

Vez por outra chegou a ser flagrado pelas irmãs com as camisas sendo ofertadas aos pedintes. Noutros momentos, dando socorro a quem necessitasse, mesmo que fosse em seus braços. Não teve muita dificuldade em seguir o pedido do pai, quando soube da vitória para assumir a prefeitura de sua cidade. Para seu William, servir aos pobres seria uma prioridade. João conseguiu um pioneirismo de levar água para as zonas rurais mais distantes. Conseguiu projetos para cavar 26 poços. No meio do caminho para chegar à prefeitura, foi tocado com o sofrimento de sua gente. Durante a campanha para prefeito, chegou numa casa simples e viu crianças com ombros feridos de carregar água, todos os dias, por mais de 1km. Jurou para si mesmo acabar com aquele sofrimento quando gestor. E cumpriu a promessa.

Foram dois mandatos. O segundo após quatro anos do primeiro. A avaliação que faz é que o outro momento como gestor, não foi tão frutífero quanto em sua administração inicial. Momentos de atribulação na política que deixaram alegrias, mas há uma frustração que, diante de tantos problemas herdados de uma gestão do prefeito anterior, ele considera não esquecer, que foi atrasar os salários dos servidores. Atualmente, a sua esposa, Betilde Correia, exerce pela segunda vez o cargo de vice-prefeita de Barbalha, mesmo sem ser do gosto do marido, mas que mesmo assim tem a admiração do marido, pela forma como tem exercido todas as funções de sua vida profissional, a exemplo da professora, secretária, gestora escolar e a política.

As irmãs de João não negam serem suas fãs. Ele herdou o temperamento da Tia Nana, diz uma delas. E foi a primeira pessoa a cantar para a mãe. Uma homenagem singela de filho. Aos 11 anos de idade, já trazia consigo o dom de também emocionar com as palavras, mesmo cantadas. Ele não se considera um bom músico, nem tão pouco cantor. Mesmo com sua admiração pela música, não aprendeu a tocar nenhum instrumento. Talvez, mais adiante, possam vir uns acordes de violão.

 

 

Com microfone em punho, numa das maiores festas de Santo Antônio do Nordeste, João Hilário arrastava a multidão no carregamento do pau da bandeira. Foram quase três décadas na atividade, que hoje prefere mesmo observar e preservar mais a voz, que se tornou inconfundível do rádio caririense. O filho da cidade devota do ‘santo casamenteiro’ segue a procissão, todos os anos. Os valores culturais e a riqueza regional o encantam, que se desmancha em sonhos pelo progresso da terra Cariri. Eram tempos diferentes, para quem conseguia em meio à algazarra do carregamento do pau da bandeira de Barbalha, acalmar os ânimos para administrar o cortejo.

O botafoguense que debatia com o pai flamenguista teve motivos para escolha do seu time. Fala com precisão de uma equipe que era mais de 50% formada por jogadores que passaram a compor a seleção brasileira, e hoje craques que rememoram uma boa fase do futebol nacional e mundial. “Quer saber?”, sai dizendo motivadamente a razão de sua escolha: Garrincha, Joel, Didi, Gerson, Nilton Carlos, Amarildo, Quarentinha, Zagallo… e por aí vai.

O apaixonado por futebol esparramava-se nos botões. Chegou a organizar campeonato nas casas dos colegas. O seu time foi roubado, em 1970, e 27 anos depois recebeu de presente a rica lembrança dos tempos de infância e juventude. “Veio dentro de uma caixinha de máquina analógica, com talco para amaciar os botões”, diz ele.

Para João, navegar pelas ondas do rádio com uma equipe que se habituou a trabalhar em conjunto facilita tudo. O programa é ao vivo. Desde o factual à participação do ouvinte e os entrevistados. O seu prazer pela busca do conhecimento foi importante para o âncora, que procura conduzir, sem ser pautado pelo entrevistado. Ele destaca essa diferença.

No rádio, João afirma que o importante é manter a promoção dos valores individuais e coletivos. Algo que não abre mão. É o espaço de reivindicação, momentos de convivência com o ouvinte, com a expansão do radiojornalismo, num processo de interatividade com o seu público. Para ele, a comunicação se exerce com o feedback no máximo que a palavra poder oferecer.

A primazia do rádio em sua vida segue além fronteira. Mas essa busca veio desde cedo, quando costumava ouvir programas em ondas curtas, da BBC de Londres. As visitas nas sintonias chegavam às diversas frequências. Gostava de ouvir um programa em português dos Beatles, que era o Iê, iê, iê na BBC, com Miguel Carlos. Depois o programa de Juan Peirano, em espanhol, que puxava também pelo pop britânico. Veio, então, o incentivo ao aprendizado de idiomas. A comunicação com os exercícios linguísticos e de linguagens diferenciadas se expandia.

Os programas de música começaram aos 12 anos, após ser fundado o Cine São José, na amplificadora local. Sempre gostou muito de música brasileira e internacional.  Em 1970, na Rádio Progresso, inaugurou novo estilo com o programa Força Total, o primeiro da região que traduzia músicas em italiano, inglês e espanhol. Também arranhava o francês e a escola o ajudou no aprimoramento do inglês.

Filho de pais agricultores e avós proprietários de engenho, a família já era citadina quando João veio ao mundo. Desde cedo, criança ainda, começou a trabalhar e fazer parte da vida da cidade. Sempre manteve um relacionamento muito estreito com as pessoas. Lia epístolas na missa e até traduziu sermão de padre americano. No final, chegou a ser até mais cumprimentado do que o sacerdote, pela oportunidade de fazer as pessoas entenderem o que estava sendo dito.

Aos 18 anos, conheceu a mulher de sua vida. A moça que queria ser freira se rendeu aos olhares bem intencionados de João. Da história a dois, vieram os filhos Raul, um engenheiro de software, e Heloísa, médica. São quase quatro décadas de um casamento que ele traduz de forma harmoniosa.

João é incansável na sua busca pelo conhecimento, e diante de tantos apelos da vida, decidiu ser do Cariri, sem sair daqui, e exercer as atividades que para ele são naturalmente prazerosas. Tanto é que jamais tirou férias totais. Como professor, no rádio, ou mesmo quando era prefeito, não parou.

Num processo recente de um candidato ao Governo do Estado contra ele, o que contradiz a sua postura de seguir uma lógica de coerência, ele afirma que não houve guarita para ser processado. “Não gosto de atacar as pessoas no rádio”, diz. A meta é ampliar a discussão para atitudes e não centrar nas pessoas. No momento em que foi movida a ação contra o comunicador, os ouvintes, e muitos, foram solidários à sua postura, tal é a credibilidade que João Hilário conseguiu obter ao longo de sua trajetória.

Um líder de audiência no rádio, ele entende que o sucesso é de ‘quem faz, onde faz, o que faz e como faz’. Classifica o Cariri como um celeiro de bons profissionais, em várias vertentes. É também, dentro dessa diversidade, um debatedor esportivo no rádio. Com o conhecimento na área, se alinha no segmento com mais uma contribuição. Com a expansão do rádio pós-internet, cativa ouvintes na França, Holanda, Estados Unidos, e estados desse Brasil afora.

Nas principais cidades do Cariri pôde exercer as suas atividades profissionais. Venceu embates, mesmo de regência verbal em sala de aula, seguindo a trama linguística, mas a sua meta é poder contribuir com o que ama. Sua maior paixão é o Cariri. A boa perspectiva nas diversas áreas de desenvolvimento regional faz João Hilário continuar abraçando a certeza do que realmente gosta, que é falar de forma plural de sua terra e discorrer das potencialidades, seja no campo da religiosidade, paleontologia, cultura popular, do meio ambiente, e do crescimento vertical que destaca o Juazeiro do Norte. Palavra de João com frequência, essa realidade ‘inapelável’ não o deixa calar. O seu sonho? Ver um dia o Cariri ser um polo irradiador de comunicação para o Brasil.

 

VOZ ATIVA

Francisca dos Santos, 77 anos

Porteiras – CE

O primeiro rádio que veio para cá foi na década de 50 e juntou todo mundo desses pés de serra. Como não podia entrar nas casas alheias, as pessoas ficavam nos terreiros só ouvindo as músicas, que eram as coisas mais interessantes. Com o tempo, veio um programa que chamava Escolas Radiofônicas, da Diocese. Aí papai pegou um rádio e foi uma maravilha, até forró botava! No dia que Batista [seu irmão] casou, o forró foi no toque desse radiozinho pequeno. E tinha também as propagandas dos remédios, tinha a propaganda do Sonrisal e minha avó [Dona Cencinha] falava assim: “Ô João, mas eu nunca ouvi falar nesse santo”. E papai dizia assim: “Não é um santo, Dona Cencinha, é um comprimido”. Aí ela ficava pensando e dizia: “Meu Deus, quem já viu uma coisa dessas? Essa caixa falar…” E dizia papai: “Vem outro aparelho aí que a senhora vê as pessoas falando, a boca se mexendo, os olhos abrindo e fechando”. E ela: “Não diga isso não, meu filho, que é o fim do mundo”.

 

Dona Doraci, 76 anos

Barbalha – CE

Eu não lembro direito quais são os canais que escuto, mas vou passando de um por um até achar o que eu gosto. Mas é sempre a Rádio Padre Cícero, a Educadora e a Barbalha FM. Eu tenho esse rádio que meu filho me deu porque o meu é muito antigo, não tem mais quem conserte, não. Acho que nem existem mais essas peças, porque eu comprei ele nos anos 80, e se naquele tempo ele já era velho, imagine agora. Aí, quando dá 10 horas, começa a hora da bênção do Padre Reginaldo Manzotti. Eu coloco sempre a foto 3×4 de algum neto meu, escrevo em um papel alguns pedidos, coloco uma garrafa e um copo de água ali do lado do rádio e deixo lá para o padre abençoar. Depois eu bebo a água do copo e o que tem na garrafa eu uso se estiver doente. Dia desses eu passei em minha perna e até que tá melhorando, sabia?

 

 

Huberto Cabral, 77 anos

Radialista da Educadora do Crato

O Chateaubriand trouxe o Olavo Fontoura – do Biotônico Fontoura – para a inauguração da Rádio Araripe. Eu levei três vaqueiros trajados para a Praça da Sé, cada qual com um gibão de couro, para presentear Chateaubriand, que era um homem extraordinário. Além de tudo isso, ele ainda trouxe uma condessa da França para a inauguração e vestiu o chapéu nela e na esposa do Fontoura. Quando foi empossado embaixador do Brasil na Inglaterra, ele se vestiu de vaqueiro com a roupa que ganhou no Crato, numa carruagem que parou o trânsito de Londres e desfilou de vaqueiro pela cidade. Chegou na Embaixada, deu de presente e vestiu o premier britânico Winston Churchill. Foi a maior homenagem. O jornalista instituiu o chapéu de couro como troféu da embaixada do Brasil.

 

Milene Moraes, 26 anos

Radialista da Vale FM, Juazeiro do Norte

É engraçado… Acho que as pessoas não sabem o meu nome, Milene Moraes… Podem até não saber, mas se falar que é aquela que diz ‘eita coisa boa!’, vão lembrar. E foi sem querer, porque eu não percebia que eu falava isso com tanta frequência. Aí um dia, a esposa de um amigo aqui da rádio comentou: “mulher, acho tão bom quando você diz ‘eita coisa boa!. Depois que ela disse isso, todo mundo começou a dizer a mesma coisa”. Pensei: “Meu Deus! Pegou mesmo!”. Eu fui a última a perceber isso, depois de todo mundo. E hoje não tem mais como tirar porque é uma marca, querendo ou não. Algumas pessoas criticaram, mas faz parte de mim… não tem mais como tirar e eu gosto.


Perfil originalmente publicado na edição 18 da CARIRI Revista.

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