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A Poesia Fotográfica de Souza Junior

Souza vem provar que, se fechar o olho, a menina dos olhos ainda dança.

Aos quinze anos, após soprar as velas do bolo de aniversário, ele ganhou a sua primeira máquina fotográfica. Era o ano de 2007 e sua mãe acertara no presente que viria a aguçar a sensibilidade que já existia. Aquele foi o primeiro passo de Souza Junior, 23, para não parar de usar a menina dos olhos e clicar ao redor.

Ele conta que sua relação com a fotografia veio de fato se transformar em atividade profissional aos vinte anos, e que não pode evitar de falar que também foi com a ajuda do bailarino e coreógrafo, e também seu tio, Alysson Amancio, que pôde ingressar diretamente numa área da fotografia profissional, na qual quer se especializar: a fotografia artística de espetáculos.

espetáculo KARIMAI

espetáculo KARIMAI

Fotografar dança, teatro e shows requer uma percepção maior diante do que está acontecendo e uma sensibilidade minuciosa para captar a poesia descrita no corpo em movimento. “Preciso pegar a real essência do que está acontecendo e então transmitir aquele sentimento na cena em apenas uma fotografia”, conta o fotógrafo sobre o desafio de registrar a sinestesia de um roteiro em cena, com o desafio de segurar a catarse dos olhos de quem assiste, na síntese de uma fotografia.

Souza Junior

Souza Junior

O fotógrafo trabalha com a Associação Dança Cariri em Juazeiro do Norte desde 2012, logo que se inclinou para a área. Em paralelo, também começou a fotografar os espetáculos da Alysson Amancio Cia de Dança. “Foi um momento importante na minha vida. E ainda está sendo, na verdade”, reflete. Sua mais recente experiência foi cobrindo a estreia do novo espetáculo de dança contemporânea KARIMAI, realizado no SESC Crato e Juazeiro. Antes disso, conta que viajou para cinco cidades com a Cia de Teatro Livre Mente para registrar a espetáculo “A Comédia da Fome”.

Mas Souza vem provar que, se fechar o olho, a menina dos olhos ainda dança. Captando a poesia “concreta” erguida na alvenaria das ruas do Ceará, ele transforma a arquitetura regional em seu trabalho da série “Casas”, começado em 2013 e só trabalhado virtualmente em 2014. O que para muitos parece ser só mais uma fachada despercebida no trânsito da rotina e retina, para ele é um retrato de uma obra esquecida. Um trabalho que lembra que, mesmo de olhos abertos, estamos de olhos fechados.

A ideia surgiu por uma conversa com a sua namorada, Amanda Almeida, enquanto andavam pelo centro de Juazeiro. Ela comentou que gostava das casas antigas da cidade e lamentava quando via a placa “vende-se”, pois em breve aquela memória seria descaracterizada ou demolida. “Com isso viria a série “Casas”, para retratar essas residências, a arquitetura esquecida por muitos, mas lembradas por meio da fotografia”, diz ele. No começo, as fotografias eram feitas com casas só da região do Cariri, mas, quanto mais fotografava, mais percebia as casas ao seu redor. Ele então foi visitando algumas outras cidades do Ceará e incluindo algumas casas na sua série, como Jaguaretama e São José de Solonopolis. Mostrar o Cariri para ele é mostrar a vasta cultura popular local. “Eu tenho o prazer de capturar quando possível essa variedade cultural sempre presente na nossa região”, explica.

Souza teve o privilégio de ganhar o concurso #OmeuCariri promovido no ano de 2014 pelo Cariri Garden Shopping, com uma foto do Centro Cultural Popular Mestre Noza, mostrando o artesanato da cidade. Ainda no mesmo ano, ganhou o concurso “As melhores de 2014”, com uma foto de tema Natureza, de um beija-flor “congelado” no ar. As metas não param por aí. O fotógrafo caririense pretende abrir uma loja virtual para vender suas fotografias e já tem em mente a publicação de dois livros que dependem da ampliação do seu acervo fotográfico, um com a junção das fotos de todos os espetáculos que já fotografou e outro sobre a sua série Casas.

Foto vencedora do concuso #OmeuCariri

Foto vencedora do concuso #OmeuCariri

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Foto vencedora do concurso “As melhores de 2014”

 

 

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