Arte e Cultura

A descoberta de Karimai

“A arte de papai passou despercebida por mim durante muitos anos e ela estava ali o tempo todo…”, revela Clara Karimai, 26 anos, filha do pintor e artista plástico Massaki Luís Karimai, que na terça-feira, 19, apresentou sua homenagem ao pai com um Trabalho de Conclusão de Curso sobre uma de suas mais admiradas obras. Saiba mais

Por Alana Maria • 24 de fevereiro de 2016

“A arte de papai passou despercebida por mim durante muitos anos e ela estava ali o tempo todo…”, revela Clara Karimai, 26 anos, filha do pintor e artista plástico Massaki Luís Karimai, que na terça-feira, 19, apresentou sua homenagem ao pai com um Trabalho de Conclusão de Curso sobre uma de suas mais admiradas obras.

Ela cresceu vendo essa tela na parede de sua casa, onde grandes signos e símbolos sobre o que Juazeiro é e representa estão unidos, mas até então não havia chamado sua atenção. Talvez porque perceber a poesia escondida nas pequenas ações do nosso cotidiano não seja trabalho fácil quando se tem um emprego que te consome o dia inteiro, preocupações financeiras, estresses com o trânsito, trabalhos da faculdade e o cansaço que bloqueia a percepção.

Massaki Luís Karimai, artista plástico, falecido em 2010.

Massaki Luís Karimai, artista plástico, falecido em 2010.

Isso ela entendeu depois. Nas aulas da faculdade de Comunicação Social – Jornalismo, na Universidade Federal do Cariri, refletiu sobre o cotidiano, estética e semiótica e ainda sobre as narrativas que conduzem a vida social. O fascínio a arrebatou. Para o trabalho de conclusão, só conseguia pensar em fazer algo envolvendo esses temas que marcaram sua graduação.

(Imagens: Acervo Karimai)

Quadro estudado (Imagens: Acervo Karimai)

Seu pai continuava aparecendo nas conversas com orientadores. Ela recusava. Investigar o trabalho do próprio pai, talvez pelos fortes laços afetivos, parecia muito complicado. O medo jovial de não dar de conta do tranco bloqueava sua percepção. Até que conversa vai, conversa vem, a professora Adriana Botelho disse a coisa certa. Sobre a tal tela de Karimai as duas passaram horas discutindo e os pensamentos foram se encaixando.

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Karimai em estúdio.

Decidida no tema da monografia, foi à luta. Por histórias de terceiros, pelos olhos dos outros, pelas narrativas dos jornais conheceu e reconheceu o lado artístico do próprio pai. “Enquanto pesquisava, fui conversando com os amigos e antigos colegas dele. Conheci o Karimai artista que tinha feito coisas incríveis e eu não sabia”, ela se admira.

"Descobri o Karimai artista em meu pai"

“Descobri o Karimai artista em meu pai”

“Foi uma descoberta para mim”, Clara diz, aceitando que tudo fez parte do seu amadurecimento. “Conversávamos muito sobre muitas coisas, mas nunca sobre arte. Queria ter conversado com ele sobre tantas outras coisas mais…”, emocionada, relevando a saudade do pai, falecido em 2010.

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Trabalho concluído e aprovado, os agradecimentos ficaram para todos aqueles que a ajudaram nessa descoberta sobre sua própria história e a história de sua família, agora mais próxima que nunca.

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Clara Karimai (segunda, da esquerda para direita) com os professores de sua banca, Paulo Cajazeiras, Alessandro Reinaldo e Eneide Feitosa

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Alana Maria

Alana Maria Soares é jornalista da Cariri Revista desde 2015.
Formou-se pela faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), no campus Cariri, onde produziu o programa cultural Percursos Urbanos Cariri, pela UFC e CCBNB, entre 2012 e 2014. Pela Editora 309, ainda produziu a Casa Cariri Revista, o Manual Inteligente da Água, o Jornal Universitário da Unileão em 2016 e 2017, entre outros produtos editoriais.
RP: 0003947/CE