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A ciência a nosso favor

Jovens cientistas transformaram um projeto escolar em uma ação social que ajuda famílias de baixa renda a reduzirem gastos com eletricidade

Ao longo dos anos, a conta de energia de dona Maria Gomes Nicácio foi uma dor de cabeça garantida. Pagando em média R$ 150 a R$200 por mês, a aposentada não entendia como a pequena casa de quatro cômodos no bairro Leandro Bezerra, em Juazeiro do Norte, poderia consumir tanta eletricidade. “Imaginava que fossem os ventiladores ligados a noite toda…”, cogitou. No entanto, uma explicação mais precisa veio após ela aceitar participar, em 2016, de um projeto escolar de três jovens cientistas, que explicaram: a má instalação elétrica causava desperdício de energia através do efeito Joule, ou seja, boa parte da eletricidade que dona Maria pagava era inutilizada pelo aquecimento dos fios e aparelhos.

Com um redimensionamento da rede elétrica, os meninos atentaram, tanto o desperdício poderia ser reduzido quanto a segurança dos moradores seria elevada. Então, assim fizeram. Após analisarem detalhe por detalhe, os próprios estudantes Vinícius Mendes, Caio Pereira e Tiago Alencar reformaram a instalação elétrica da casa, desta vez estruturando como pede a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Fiação, tomadas, luzes e interruptores foram substituídos através do apoio financeiro de uma loja especialista e organizados para se adequarem as regras de segurança e um aterramento foi feito.

 

Até 30% a menos no consumo: Maria Gomes e a nova planta da rede elétrica de sua casa, no bairro Leandro Bezerra, em Juazeiro do Norte.

 

Com a conta de luz reduzida em até 30%, Maria Gomes se diz satisfeita com o resultado do projeto, que também foi aplicado em outras duas casas da vizinhança. “Pra gente foi bom demais, porque além de diminuir o gasto na luz, ainda melhorou a segurança”, ela afirma. “Antes era uma desorganização danada de adaptadores e extensões. Hoje em dia não preciso usar nada disso, porque as tomadas são todas modernas”, diz.

O projeto foi tão bem-sucedido que os jovens cientistas apresentaram um trabalho sobre ele na feira científica Genius Olympiad, nos Estados Unidos, e no I MOCICA, a Mostra Científica do Cariri, ainda em 2016. Esse ano ainda participarão da exposição científica internacional ESI MUNDI, que acontecerá em Fortaleza.

“Aplicamos na prática do que aprendemos na teoria”, diz o estudante Vinícius, 16, que aponta a principal mudança na casa sendo o aterramento e instalação do fio terra. “Identificamos que não existia o fio terra, aquele responsável por assegurar que as correntes elétricas estejam dentro do limite e tenham um local seguro de escape, anulando o perigo do choque”, ele relata, ressaltando que todo o processo foi acompanhado de perto pelo professor Ricardo Fonseca.

 

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