Cariri Sustentável 0

75% das escolas rurais não tinha abastecimento de água. Um projeto do semiárido mudou essa realidade.

Em 2009, o Fundo da Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicou um estudo que apontava um espantoso dado sobre a relação da água com a educação. Das 37,6 mil escolas na zona rural do semiárido brasileiro, 28,3 mil (75%) não eram abastecidas pela rede pública, o que estava, entre outros fatores precários, contribuindo para o mau desempenho escolar dos alunos sertanejos.

Para resolver esse conflito, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) desenvolveu um programa de Cisterna nas Escolas, em 2004, voltado para a construção de cisternas de 52 mil litros de capacidade nas escolas rurais. Com piloto bem sucedido, foi ampliado em 2009 com parceria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Instituto Ambiental Brasil Sustentável (IABS), da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) e dos municípios atendidos.

Em seus três primeiros anos de experiência ampla foram construídas 875 cisternas escolares, em 143 municípios do semiárido, que não apenas levaram água até os equipamentos de educação, mas envolveram a comunidade na construção e na reflexão sobre a necessidade de novas políticas hídricas e alimentares para o semiárido.

O projeto Cisternas nas Escolas, até junho de 2017, construiu 4.725 reservatórios de água semiárido adentro, segundo contabiliza a ASA. Pelo menos nove estados brasileiros participam do projeto, sendo eles PE, PB, AL, SE, BA, CE, RN, PI e MG.

Na região do Cariri, uma das instituições componentes da Articulação Semiárido Brasileiro que leva cisternas até escolas rurais é a ACB, Associação Cristã de Base, historicamente ligada aos direitos dos pequenos produtores. Em 2016, a ACB construiu 44 cisternas de 52.000 litros nos municípios de Salitre, Assaré, Campos Sales, Crato, Aurora, Mauriti e Barro.

Não obstante, o projeto ainda se volta para a valorização do saber e da cultura popular, buscando ações e estratégias que contribuam para um outro olhar para o Semiárido, tanto no âmbito escolar quanto em toda comunidade.

 

Fotos: ASA / ACB Crato

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