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Podcast, Reportagens

O som ao redor | 105 ANOS DO JUAZEIRO

Um passeio sonoro pelas ruas da cidade

Não se fazem mais vendedores para as lojas de roupas da Rua São Pedro como antigamente. Em um trajeto pelas calçadas apertadas da rua mais movimentada do Cariri, poucos são os insistentes “Vamos entrar, jovem? Bora dar só uma olhadinha?”. As três cuecas por cinco reais praticamente se vendem sozinhas. O comércio mais presente é o odontológico. Nesse, sim, os vendedores são vorazes. A consulta é de graça e você já sai com o aparelho. Quem for corajoso, que vá conferir se é verdade. Os chips de celulares são vendidos a cada esquina, com promoções que se superam: um oferece conexão de internet rápida, outro você leva de graça, outro vem com tantas horas de ligação, que ninguém teria assunto o suficiente para tanta conversa. Os corredores do Mercado Central conseguem ser mais calmos que as ruas da cidade – porém tão barulhentas e tão curtas quanto as calçadas do lado de fora. Oscila entre a escuridão de becos que fedem a sangue e o brilho das semi-joias, entre a zoada de colher batendo no prato dos que comem calados o seu caldo e a gritaria dos que competem pelo cliente. De repente, dobra-se uma esquina e a paz reina na estrada do Logradouro. Juazeiro tem desses lugares intocados, graças a Deus esquecidos pelo mercado imobiliário, onde ainda se cria um tantinho de gado, os meninos ainda correm sem o perigo de serem atropelados. Mas, principalmente, reza-se. Reza-se bastante na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do lado do cemitério, do Memorial Padre Cícero, do caminho do Horto e do terminal que distribui gente por todas as cidades ao redor.

VAMOS ENTRAR, JOVEM

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CALDO DE CARNE, REDE DE DORMIR, CORDÃO DE OURO, BATERIA DE CELULAR

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CALMA NO CAOS DA CIDADE

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PAZ DE CRISTO

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